
Porto, 11 jun 2021 (lusa) – O secretário-geral adjunto do PS considerou hoje “lamentável” a partilha de dados de manifestantes russos pela Câmara de Lisboa e anunciou que o Governo está a preparar uma nova lei sobre o direito de manifestação.
Em conferência de imprensa, no Porto, José LuÃs Carneiro acusou o lÃder do PSD de “oportunismo e cinismo polÃtico”, pela forma como reagiu à questão, rejeitando que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina (PS), saia fragilizado deste caso.
“O PS quer manifestar toda a solidariedade ao Dr. Fernando medina e querÃamos sinalizar que este caso é lamentável, como já foi considerado pelo presidente da Câmara, e por ser lamentável é que já mandou abrir um inquérito para apurar responsabilidades e avaliar todos os procedimentos relacionados com a autorização e realização de manifestações”, começou por afirmar José LuÃs Carneiro.
Segundo o ex-secretário de Estado das Comunidades, “o sucedido também resulta de uma lei de 1974, totalmente desatualizada, e por isso o Governo está a trabalhar no sentido de promover uma nova proposta de projeto de lei para promover uma atualização da lei relativa ao direito de manifestação”.
O adjunto de António Costa na condução do PS devolveu as crÃticas da oposição, apontando baterias a Rui Rio: “QuerÃamos também lamentar o oportunismo e cinismo polÃtico das oposições e muito particularmente do PSD”, disse.
“Oportunismo porque já foram dadas as explicações que tem que ver com um procedimento que é adotado pela Câmara de Lisboa desde que os governos civis foram extintos”, argumentou.
“De cinismo porque, por um lado, o lÃder do maior partido da oposição vem criticar o sucedido e lamentar os efeitos nocivos para a imagem e reputação do paÃs, mas, ao mesmo tempo, sabemos que os deputados do PSD enquadrados no Partido Popular Europeu pretendem levar um assunto desta natureza ao Parlamento Europeu”, continuou.
Para o PS, “esta atitude cÃnica do lÃder do PSD rompe com um princÃpio fundamental no que diz respeito à polÃtica externa, que tem que ver com o facto de não se utilizar matéria sensÃveis de cariz diplomático ou consular para feitos de polÃtica interna”.
Rui Rio, acusou também Carneiro, “não tem feito grandes esforços para apresentar propostas para os problemas do paÃs”, mas relativamente a “tudo o que são casos e casinhos”, tem “estado em todas essas expressões daquilo que do nosso ponto de vista é a má polÃtica”.
José LuÃs Carneiro salientou que Fernando Medina “assumiu a sua responsabilidade pedindo desculpas” e defendeu que “não faz sentido procurar imputar a um presidente da Câmara uma responsabilidade por aquilo que é um procedimento regular dentro da própria instituição”, afirmando que quem está fragilizado são os candidatos autárquicos sociais-democratas.
“Quem vejo de facto fragilizado são os candidatos do PSD. Temos um candidato à Câmara de Lisboa e é o presidente do partido que vem falar permanentemente, substituindo-se ao candidato”, disse.
Por isso, José LuÃs Carneiro deixou um conselho ao lÃder do PSD: “Era importante que Rui Rio se concentrasse no paÃs e nas dificuldades que o paÃs tem, porque é isso que se espera de um lÃder da oposição, é ter uma alternativa nacional para o paÃs, e não correr atrás de pequenos casos para criar este ambiente pouco saudável”, referiu.
Os jornais Expresso e Observador noticiaram na quarta-feira que a Câmara Municipal de Lisboa fez chegar às autoridades russas os nomes, moradas e contactos de três ativistas russos que organizaram em janeiro um protesto, em frente à embaixada russa em Lisboa, pela libertação de Alexey Navalny, opositor do governo russo.
Em conferência de imprensa, ao fim da manhã de quinta-feira, Fernando Medina admitiu que foi feita a partilha de dados pessoais dos três ativistas, pediu “desculpas públicas” e assumiu que foi “um erro lamentável que não podia ter acontecido”.
JCR// ACL
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