
Maputo, 05 nov 2025 (Lusa) – A empresa ferroviária moçambicana CFM decidiu manter suspensa a circulação dos comboios de passageiros em Sofala, centro de Moçambique, por questões de segurança, após um descarrilamento no domingo em investigação pela polícia, que suspeita de antigos trabalhadores.
“Os comboios de passageiros estão cancelados até que a situação de segurança seja reposta”, disse hoje à Lusa o porta-voz da empresa pública Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Adélio Dias, sem adiantar prazos.
Em causa está a vandalização de parte de uma linha férrea que provocou o descarrilamento de um comboio de mercadorias na madrugada de domingo na província de Sofala, o segundo caso em poucas semanas.
A comandante provincial da Polícia da República de Moçambique em Sofala, Beatriz Tichala, garantiu hoje que decorrem investigações para apurar os autores da vandalização da linha.
“As suspeitas recaem para os trabalhadores que, em algum momento, estão insatisfeitos com o patronato. [Os trabalhadores] que participaram na construção da linha férrea”, explicou, durante as cerimónias alusivas ao Dia da Legalidade, em Sofala.
Num comunicado, que a Lusa teve hoje acesso, a CFM explica que, neste último incidente, os indivíduos cortaram a linha e removeram os padrões que servem para fixar a linha às travessas, danificando duas locomotivas e vários vagões.
“O CFM condena e lamenta profundamente a atitude deste grupo de concidadãos, que visava atingir o comboio de passageiros”, acrescenta-se no documento.
Também a rede ferroviária sul dos CFM somou este ano prejuízos de dois milhões de dólares (1,6 milhões de euros) com roubos e vandalizações de infraestruturas, anunciou a empresa em setembro.
Em declarações aos jornalistas à margem do Fórum de Prevenção e Combate à Vandalização de Infraestruturas Públicas, Arnaldo Manjate, diretor de operações ferroviárias dos CFM-Sul, adiantou que só este ano, foram roubados equipamentos e vandalizados aparelhos da linha férrea, incluindo de mudança de via, que custaram à empresa cerca de cinco milhões de meticais (cerca de 66 mil euros), incluindo devido ao arremesso de pedras contra as locomotivas.
A rede ferroviária moçambicana divide-se em três zonas, sul, centro e norte, não conectadas diretamente, mas que por sua vez ligam a vários países vizinhos, como África do Sul, Essuatíni e Zimbabué.
Em 2024, os comboios do CFM transportaram 6.815.251 passageiros, no sistema centro e sul, quase meio milhão a mais do que o previsto pela empresa, segundo dados oficiais, e 3% acima do registo de 2023, segundo dados da empresa.
O Governo moçambicano avançou no final de abril que pretende investir quase 190 milhões de euros até 2030 na duplicação de linhas ferroviárias, aquisição de carruagens, locomotivas e vagões para reforçar a capacidade de transporte de passageiros e de mercadorias.
O executivo adiantou que quer investir o dinheiro na conclusão da duplicação dos restantes 25 quilómetros da linha férrea Ressano Garcia em Maputo, que liga Moçambique e África do Sul, e também na aquisição de mais de 30 carruagens cujo objetivo é reforçar a capacidade de transporte de passageiros.
Pelo mesmo valor, o Governo de Moçambique pretende adquirir, até 2030, 250 vagões para responder à crescente procura de transporte de minerais e a compra de, pelo menos, 15 locomotivas de linha.
Os resultados operacionais da estatal do CFM subiram 55% em 2024, para quase 2,52 mil milhões de meticais (34,7 milhões de euros), e foram transportados mais de sete milhões de passageiros, anunciou anteriormente a administração.
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