
Lisboa, 06 fev 2026 (Lusa) — O Cinema Ideal, em Lisboa, acolhe na terça-feira uma sessão “especial e solidária” do filme “Justa”, de Teresa Villaverde, com a presença da atriz Betty Faria, cujas receitas revertem para duas aldeias afetadas pela passagem da depressão Kristin.
De acordo com a Alce Filmes, a sessão de “Justa” – filme com histórias inspiradas nos que sofreram no incêndio trágico de 2017 em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, que causou 66 mortos e 253 feridos, destruiu mais de meio milhar de habitações e 20 mil hectares de floresta – inclui também uma conversa com Betty Faria e Teresa Villaverde, moderada pela jornalista Teresa Dias Mendes.
As receitas da “sessão especial e solidária”, marcada para as 19:00 de terça-feira, revertem para as aldeias de Álvaro e Ceiroquinho, no concelho de Pampilhosa da Serra, distrito de Coimbra, “muito afetadas pela tempestade Kristin”.
Além do dinheiro angariado com a venda dos bilhetes para a sessão no Cinema Ideal, foram criadas também duas contas bancárias para donativos, “para quem quiser contribuir, desde já”: Aldeia de Ceiroquinho – Comissão de Melhoramentos, com o IBAN PT50 0010 0000 70175700001 81, e Aldeia de Álvaro – Fábrica da Igreja, com o IBAN PT50 0045 4111 40178745769 91.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas pela passagem das depressões Kristin e Leonardo.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada, havendo também registo de centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
O Governo decretou situação de calamidade em Portugal continental entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, estendendo-a depois até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.
O filme “Justa” não é um documentário, as histórias que se cruzam são ficcionais, mas de alguma forma representativas do que é sobreviver a uma tragédia como a de Pedrógão Grande, sem que haja necessidade de mostrar labaredas.
No filme há a criança que perdeu a mãe, o homem que tem de conviver com um corpo mutilado pelas chamas, uma mulher que ficou cega, depois de morrer o marido, uma psicóloga que tenta aliviar o sofrimento.
“Nós nunca vamos conseguir saber exatamente o que se passa com aquelas pessoas, e aquelas pessoas percebem que nunca mais vão ser iguais às outras”, contou a realizadora, em entrevista à Lusa, em novembro, quando da estreia do filme.
Nas semanas de pesquisa no terreno, sozinha, sem câmara, sem gravador, Teresa Villaverde encontrou pessoas dispostas a partilharem o que viveram, mas ainda em choque, como se acreditassem que podia “haver um milagre de ‘desacontecer'” o incêndio.
“Justa”, escrito e produzido por Teresa Villaverde, é interpretado por Madalena Cunha, Ricardo Vidal, Filomena Cautela, Alexandre Batista, Anabela Moreira e Betty Faria, entre outros.
A realizadora admitiu que foi “um filme muito difícil de produzir”, pela montagem financeira demorada, pela rodagem em locais difíceis “e por ser sobre o que era”.
“Na equipa da rodagem eram todos portugueses e eu acho que não era preciso falar, todos nós sentíamos que estávamos a fazer uma coisa – boa ou má – especial e tinha de ser feito com grande cuidado e respeito”, lembrou.
Teresa Villaverde entende que “Justa” pode ser uma homenagem aos vivos, porque todos os anos são recordados apenas os que morreram naquele incêndio.
Além da sessão no Cinema Ideal, o filme continua em exibição em algumas cidades portuguesas, nomeadamente Elvas (sábado, no Auditório São Mateus), Almeirim (sábado, no Cine-Teatro de Almeirim), Aveiro (terça-feira, no Teatro Aveirense) e Vila Nova de Famalicão (12 de Março, na Casa das Artes).
JRS (SS) // MAG
Lusa/Fim
