Cinema de animação português na seleção oficial do festival de Annecy

Annecy, França, 25 mar 2026 (Lusa) — Seis filmes portugueses ou com coprodução nacional, entre os quais “Porque Hoje é Sábado” e “Filha da Água”, vão estar no Festival de Cinema de Animação de Annecy, em junho, em França, anunciou hoje a organização.

A curta-metragem “Porque Hoje é Sábado”, de Alice Eça Guimarães, produzida pela Animais AVPL em coprodução com França e Espanha, foi selecionada para a competição Perspetivas, chegando a Annecy com um currículo de mais de duas dezenas de prémios.

O filme é protagonizado por uma mulher que procura ter tempo num sábado, supostamente de descanso, mas que é constantemente interrompido por tarefas domésticas e responsabilidades familiares.

“Apesar de termos evoluído muito na luta pela igualdade entre homens e mulheres, o peso da vida familiar ainda constrange desproporcionalmente a vida, a liberdade e a criatividade da maior parte das mulheres”, escreveu a realizadora na nota de intenções.

Alice Eça Guimarães, coautora das curtas-metragens “Amélia & Duarte” (2015) e “Entre Sombras” (2018), ambas com Mónica Santos, está atualmente a fazer o filme “Roupa Velha” e a série de animação “A Bem da Nação”, sobre a ditadura em Portugal.

Na competição oficial de curtas-metragens de Annecy figuram duas coproduções portuguesas: “Virgem Fandango”, de Marcy Page, e “Filha da Água”, de Sandra Desmazières.

“Virgem Fandango” é uma coprodução entre Portugal (Ciclope Filmes) e Canadá que, do ponto de vista técnico e artístico, se destaca pela utilização de 12 mil azulejos portugueses pintados à mão e posteriormente animados em ‘stop motion’.

“O filme propõe uma leitura contemporânea e subversiva de referências históricas e religiosas, centrando-se numa reinterpretação da figura de Maria, mãe de Jesus, enquanto símbolo de resistência e agência feminina”, afirma a Agência da Curta-Metragem.

“Filha da Água”, uma produção francesa com coprodução dos Países Baixos e de Portugal (Animais AVPL), é um filme sem diálogos, que acompanha Mia, uma mulher que mergulha diariamente para recolher ostras e ouriços-do-mar.

Distinguido este ano nos prémios franceses Césares, o filme “propõe uma experiência profundamente sensorial, onde o tempo, a água e a memória se entrelaçam num universo visual de grande delicadeza”, explica a produtora portuguesa.

Na secção “Off Limits”, para obras mais experimentais, está “XYZ”, do realizador Alexandre Alagôa, produzido pela Filmes do Gajo.

Da programação de Annecy fazem parte igualmente uma curta produção promocional do festival Monstra de 2025, de Vasco Casula, na seleção de filmes publicitários, e “Um corpo sem cavalo?”, de Lara Fuke, com coprodução portuguesa minoritária, na seleção de filmes de escola.

O Festival de Cinema de Animação de Annecy, que em 2024 premiou “Percebes”, de Laura Gonçalves e Alexandra Ramires, decorrerá este ano de 21 a 27 de junho naquela cidade francesa.

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