Cineasta e ensaísta alemão Alexander Kluge morre aos 94 anos

Berlim, 26 mar 2026 (Lusa) — O realizador e ensaísta Alexander Kluge, considerado um dos nomes mais influentes do Cinema Novo Alemão, morreu na quarta-feira aos 94 anos em Munique, revelou hoje a editora Surhkamp.

Alexander Kluge era “um dos intelectuais alemães mais versáteis da sua época” e que ajudou a fundar e a desenvolver, “tanto na teoria como na prática”, o Novo Cinema Alemão, sublinhou a editora em nota de pesar.

Formado em Direito, História e Música Sacra, Alexander Kluge foi assistente do cineasta Fritz Lang e assinou, nos anos 1960, o “Manifesto de Oberhausen”, que inaugura o Novo Cinema Alemão, juntamente com Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog, Margarethe von Trotta e Wim Wenders, entre outros.

Realizou “Despedida de Ontem” (1966), “Os artistas sob a cúpula de circo: Perplexos” (1968) — que lhe valeu o Leão de Ouro no festival de Veneza -, coassinou o filme coletivo “A Alemanha no outono” (1978) ou ainda “O poder dos sentimentos” (1983).

Multifacetado e multidisciplinar, Alexander Kluge foi, igualmente, precursor da chamada “televisão de autor” – uma tentativa de levar qualidade artística aos programas televisivos — tendo produzido centenas de programas desde os anos 1980.

“O seu percurso, fortemente marcado pela procura e reinvenção de outras formas de fazer cinema e televisão, nos antípodas dos modelos comerciais, alia a crítica do racionalismo a uma estética de resistência”, afirmou a Casa do Cinema Manoel de Oliveira, no Porto, quando em 2021 colaborou com a Cinemateca Portuguesa numa extensa retrospetiva e exposição dedicadas ao cineasta.

No Porto, a exposição inédita intitulava-se “A Política dos Sentimentos” e reunia vários excertos de filmes do cineasta. Na altura foi igualmente publicado um catálogo que aprofundava o diálogo do cineasta com o realizador Manoel de Oliveira.

A retrospetiva na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, teve por título “Cinema Impuro”, precisamente por ser uma obra atravessada pela heterogeneidade, partindo de fotografias, pinturas, textos, outros filmes, entre muitos outros materiais.

“Ávido colecionador de pequenas histórias em grande parte inspiradas em factos reais”, lembrou a Cinemateca Portuguesa, Alexander Kluge publicou em Portugal dois volumes de narrativas fragmentadas “Crónica dos Sentimentos”.

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