Cinco países europeus lançam iniciativa de defesa com drones de baixo custo

Cracóvia, Polónia, 20 fev 2026 (Lusa) — Os ministros da Defesa do grupo E5, formado por Alemanha, França, Itália, Polónia e Reino Unido, anunciaram hoje o lançamento de uma iniciativa para desenvolver drones autónomos de baixo custo, com base na experiência ucraniana.

O programa, designado LEAP (“Low-Cost Effectors and Autonomous Platforms”), foca-se no investimento conjunto na produção e aquisição de capacidades de ataque baseadas em drones e sistemas de defesa económicos.

Segundo o ministro da Defesa polaco, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, o acordo inclui o desenvolvimento de cargas de combate que utilizam inteligência artificial.

Kosiniak-Kamysz disse que “as tecnologias e técnicas de combate estão a mudar dinamicamente”, pelo que a Europa deve “responder de forma rápida e adequada” para garantir que “ninguém sonhe jamais em atacar os países da União Europeia”.

A iniciativa foi anunciada em Cracóvia, no sul da Polónia, no final de uma reunião dos ministros da Defesa dos países do E5, em que também participou a responsável pela política de segurança da UE, Kaja Kallas.

A vice-secretária-geral da NATO, Radmila Shekerinska, participou igualmente, bem como o ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, que o fez por videoconferência.

O programa, inspirado nas lições táticas da guerra na Ucrânia, procura massificar o uso de tecnologias económicas para neutralizar ameaças avançadas e fortalecer a defesa aérea europeia, segundo as agências espanhola EFE e norte-americana AP.

Pretende ainda superar a lentidão dos ciclos tradicionais de aquisição através de uma cooperação industrial partilhada no quadro da NATO.

Kosiniak-Kamysz admitiu que a indústria militar europeia “está a fazer muito mais, sobretudo no último ano”, para minimizar a dependência dos Estados Unidos.

O ministro alemão, Boris Pistorius, assinalou que o objetivo é beneficiar de sistemas inovadores e produzi-los a baixo custo e em grandes quantidades, atraindo as “melhores empresas”.

O vice-ministro da Defesa britânico, Luke Pollard, cujo país lidera a iniciativa, não forneceu números concretos, mas mencionou um “compromisso de vários milhões de libras” por cada membro do E5.

Pollard referiu-se ao facto de, no passado, terem sido utilizados caças de milhões de dólares para responder a drones que custam apenas alguns milhares.

“Precisamos de garantir que o custo da defesa corresponde ao custo das ameaças”, acrescentou.

A aceleração do rearmamento europeu ocorre num contexto de forte criticismo do Presidente norte-americano, Donald Trump, em relação à NATO e aos gastos de defesa na Europa.

As recentes ameaças de Trump de confiscar a Gronelândia — território autónomo da Dinamarca, aliada da NATO — e comentários depreciativos sobre as tropas aliadas abalaram a coesão da organização, segundo a AP.

Kallas, também chefe da diplomacia da UE, disse que a segurança do continente é “mais incerta do que tem sido em décadas”, referindo a agressão russa e a redefinição da aliança com os Estados Unidos como fatores decisivos.

“Uma Europa mais forte torna a aliança [NATO] também mais forte”, afirmou.

O E5 é um formato de cooperação informal criado em resposta aos desafios geopolíticos contemporâneos para reforçar o diálogo político e militar, especialmente no contexto da segurança e defesa da Europa.

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