Cidade Velha de Jerusalém atingida após ataque iraniano

Jerusalém, Israel, 20 mar 2026 (Lusa) — O bairro judeu da Cidade Velha de Jerusalém foi hoje atingido por um ataque iraniano, possivelmente destroços de um míssil ou de um intercetor, um ato que a diplomacia israelita considera demonstrativo da “loucura do Irão”.

Pouco depois de um alerta de míssil iraniano, duas explosões muito fortes sacudiram Jerusalém, seguidas de um grande impacto no solo, descreveu a agência France-Presse (AFP).

O projétil caiu no bairro judeu, dentro das muralhas otomanas e a apenas algumas centenas da Mesquita de al-Aqsa, o terceiro local mais importante do Islão, bem como do Muro das Lamentações, que é sagrado na religião judaica, e ainda da igreja cristã do Santo Sepulcro, erguida no lugar onde a Bíblia situa a crucificação e ressurreição de Jesus Cristo.

Imagens relatadas pela AFP mostram uma rua aberta e repleta de destroços, perto de um parque de estacionamento e do Hotel Casa Sefardita.

“O que se vê aqui é o resultado de ataques de mísseis iranianos. A Cidade Velha de Jerusalém, mesmo ao lado do Monte do Templo, foi atingida por fragmentos de mísseis iranianos”, criticou o exército em comunicado na rede social X.

O regime iraniano “prova mais uma vez que está a disparar indiscriminadamente — seja contra zonas civis ou locais sagrados — com a intenção de destruir o Estado de Israel”, acusou o exército.

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, lamentou igualmente na rede X “o ‘presente’ do Irão para o Eid al-Fitr”, que assinala o fim do Ramadão, “ao disparar mísseis contra a Mesquita de al-Aqsa.”

Este ataque iraniano a locais sagrados para as três religiões revela “a loucura do regime iraniano, que se diz religioso”, comentou ainda o chefe da diplomacia israelita.

Em comunicado, a polícia disse estar a “trabalhar para isolar uma área e lidar com um engenho explosivo que caiu na cidade de Jerusalém”, indicando que uma pessoa ficou ferida sem gravidade.

Os alertas para lançamentos de mísseis iranianos continuaram durante todo o dia de hoje, sobretudo no centro de Israel, na região de Telavive e na região de Jerusalém.

O Irão começou a lançar mísseis e drones contra Israel e os países vizinhos em resposta à ofensiva aérea israelo-americana lançada em 28 de fevereiro contra a República Islâmica.

No passado dia 16, fragmentos de um míssil iraniano intercetado pelas defesas aéreas israelitas caíram igualmente na Cidade Velha, sobre o telhado do Patriarcado Ortodoxo Grego, a poucos metros da Igreja do Santo Sepulcro.

No Irão, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) identificou, no início desta semana, quatro sítios danificados pelo conflito entre os 29 que constam na lista de Património da Humanidade.

Estes locais incluem o Palácio Golestan, no coração histórico de Teerão, a Mesquita Jameh em Isfahan, no centro do Irão, e os sítios pré-históricos do Vale de Khorramabad, no leste do país.

O Governo iraniano informou no sábado que pelo menos 59 monumentos, museus e sítios históricos sofreram “danos graves” em resultado dos ataques aéreos nas últimas semanas.

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