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Lisboa, 06 mar 2025 (Lusa) – Cerca de 30 cidadãos timorenses manifestaram-se hoje em Lisboa, em frente à  Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), para reivindicarem igualdade de pagamentos burocráticos face a outros cidadãos da CPLP.Â
Segundo explicou à Lusa o imigrante timorense Januário Maia, que está em Portugal há quase três anos, um dos objetivos da manifestação “Timor também é CPLP! Não à discriminação”, que se realizou na manhã de hoje, entre as 10:00 e as 11:30, em frente à AIMA, foi para “perceber qual a diferença entre os paÃses da CPLP, de que faz parte também Timor-Leste”.
A manifestação surgiu na sequência de um erro já admitido e corrigido pela AIMA, em que estavam a ser cobrados a estes cidadãos timorenses valores substancialmente superiores face a outros imigrantes da Comunidade dos PaÃses de LÃngua Portuguesa (CPLP).
Enquanto os imigrantes da CPLP pagam 56,80 euros para efeitos de renovação da Autorização de Residência CPLP, estavam a ser cobrados 397,90 euros aos cidadãos timorenses.
“Estamos aqui para perceber o porquê da diferença de valores que temos de pagar face a outros cidadãos da CPLP. Enquanto nós pagamos quase 400 euros os outros pagam 56,80 euros”, reiterou Januário Maia à Lusa.
Durante o protesto, os manifestantes empunhavam a bandeira de Timor-Leste e cartazes como “Timorenses exigem respeito”, “Timor-Leste também é CPLP”, “Timorenses pagam 397,90 euros, outros CPLP pagam 56,80 euros” ou “Portugal invade Timor 450 anos”.
A AIMA explicou, quarta-feira, à Lusa, que os documentos únicos de cobrança (DUC) enviados aos cidadãos timorenses que requereram renovação da autorização de residência CPLP tinham um lapso na taxa a pagar e que esse erro já foi devidamente corrigido e que a todos estes imigrantes foi enviado um ‘email’ com a devida explicação do lapso, “com o propósito de operacionalizar a devolução do montante que possa ter sido pago em excesso”.
A agência das migrações não soube precisar quantos imigrantes pagaram a taxa errada nem quando lhes será devolvido o dinheiro.
Uma das organizadoras da manifestação, Mariana Carneiro, disse à Lusa que se desconhecem ainda em que moldes serão feitos os reembolsos, uma vez que a AIMA exige que seja enviado um comprovativo do Número de Identificação Bancária (NIB) com o respetivo nome da pessoa, sendo que existem casos de imigrantes sem contas bancárias abertas por, entre várias razões, não terem residência, explicou.
Outra reivindicação da manifestação dizia respeito à s taxas pagas aquando da manifestação de interesse (pedido de autorização de residência nos termos dos artigos 88º e 89º da Lei 23/2007 de 04 de julho)”, em que há casos de cidadãos timorenses que foram chamados a pagar o valor de 397,90 euros, em vez dos 56,80 euros, como a restante comunidade.
Um dos imigrantes presentes na manifestação, António Alves, disse à Lusa que fez a manifestação de interesse em fevereiro de 2024 e que este ano, em fevereiro, recebeu uma notificação de um pagamento de 397,90 euros, que efetuou, e questiona se será reembolsado.
“Estamos aqui a trabalhar. Podemos pagar, mas não é justo. Timor-Leste foi de Portugal muitos anos”, disse António Alves à Lusa.
A Lusa questionou a AIMA sobre os valores cobrados relativos às manifestações de interesse e sobre os comprovativos do NIB necessários para o reembolso do valor, mas, até ao momento, não obteve resposta.
A CPLP é constituÃda por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e PrÃncipe e Timor-Leste.
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