
Nairobi, 22 mar 2026 (Lusa) – Chuvas torrenciais causaram pelo menos 81 mortos desde o início do mês no Quénia, divulgaram hoje as autoridades, após mais um fim de semana de mau tempo que tem sobrecarregado esgotos e estradas.
“Até à data, o número total de mortos chegou infelizmente aos 81. Nairobi continua a ser a região mais afetada, com 37 fatalidades”, disse o porta-voz da Polícia Nacional do Quénia, Muchiri Nyaga, em comunicado citado pela agência France-Presse (AFP).
Segundo o responsável, “as cheias repentinas também atingiram diversas áreas, desalojando aproximadamente 2.690 famílias e causando danos significativos em infraestruturas e propriedades”.
Na sexta-feira à noite, as autoridades pediram aos moradores de vários bairros a jusante da barragem de Nairobi que abandonassem as casas devido ao “risco iminente de inundação, uma vez que a subida do nível da água na albufeira ameaça romper a barragem”.
Até ao momento, a barragem está a resistir, mas em Kiambu, um subúrbio a norte da capital Nairobi, duas pessoas morreram afogadas em cheias repentinas na madrugada de sábado para domingo, informou a polícia à AFP.
Segundo a estação privada queniana Citizen TV, duas pessoas morreram também este fim de semana em deslizamentos de terras na aldeia de Kasaka (oeste), onde várias casas ficaram soterradas, prevendo-se que as chuvas se mantenham em todo o país até terça-feira, segundo as autoridades, que instaram a população a ter “extrema cautela e vigilância” e a seguir as recomendações.
As chuvas torrenciais deste mês transformaram repetidamente as principais vias de Nairobi em correntes de água, inundando milhares de casas e empresas. Dezenas de pessoas já morreram no início de março, e já foram feitos pedidos de demissão do governador de Nairobi, Johnson Sakaja.
Vários estudos científicos têm assinalado um aumento da frequência de períodos extremamente húmidos ou secos na África Oriental nos últimos vinte anos.
Há muito que os cientistas alertam que as alterações climáticas induzidas pelo homem estão a aumentar a probabilidade, a duração e a gravidade de eventos climáticos extremos, como chuvas torrenciais.
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