China estende exercícios militares no mar Amarelo após escalada de tensão com Japão

Pequim, 18 nov 2025 (Lusa) — A China estendeu as manobras com fogo real no mar Amarelo por mais oito dias, num contexto de tensões com o Japão, após Tóquio avisar que um ataque a Taiwan poderia representar uma crise securitária para o país.

De acordo com um comunicado divulgado na segunda-feira à noite pela Administração de Segurança Marítima da China (MSA, na sigla em inglês), os exercícios ocorrem entre hoje a 25 de novembro, diariamente, das 08:00 às 18:00 (00:00 e 10:00 em Lisboa), numa área do sul do mar Amarelo, onde a navegação está totalmente proibida.

O comunicado não especifica os recursos militares envolvidos nem o objetivo específico do exercício.

O novo alerta sucede a outro emitido no sábado, referente a exercícios militares na região central do mar Amarelo, que começaram na segunda-feira.

O prolongamento destes exercícios coincidem com um ressurgimento da retórica oficial chinesa contra Tóquio, após declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que sugeriu que um ataque chinês a Taiwan poderia colocar o Japão numa “situação de crise” e justificar uma intervenção das forças armadas nipónicas no estreito.

O Governo japonês enviou um alto funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros a Pequim na segunda-feira, para tentar conter a escalada da retórica. Tóquio insiste que a posição em relação a Taiwan não mudou e que qualquer disputa deve ser resolvida pacificamente.

A China endureceu as mensagens transmitidas, e o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país emitiu um alerta, na sexta-feira, no qual desaconselha as viagens para o Japão devido à deterioração do ambiente de segurança.

Um aviso replicado, no domingo, pelas autoridades das duas regiões administrativas especiais chinesas de Macau e Hong Kong.

Taiwan é uma ilha com Governo próprio desde 1949, que a China considera uma “província rebelde” e parte inalienável de território chinês, tendo ameaçado várias vezes recorrer à força para alcançar a reunificação.

Apesar de ter reconhecido a República Popular da China como o único Governo legítimo em 1972, o Japão mantém relações não oficiais com Taipé, e já o antigo primeiro-ministro Shinzo Abe (1954-2022) defendeu publicamente que qualquer invasão da ilha justificaria uma resposta militar japonesa, no quadro do acordo de segurança com os Estados Unidos.

CAD (VQ/JPI) // APL

Lusa/Fim