
Pequim, 03 jul 2024 (Lusa) — China e Rússia realizaram um exercÃcio militar conjunto centrado no terrorismo transfronteiriço, informou hoje um órgão oficial do Exército chinês, numa altura em que as autoridades russas estão cada vez mais preocupadas com ataques terroristas.
O exercÃcio ocorreu numa área fluvial perto da ponte de Heilongjiang – que liga a cidade russa de Blagoveshchensk à cidade chinesa de Heihe – em 25 de junho, noticiou o jornal oficial do Exército de Libertação Popular (PLA Daily).
Foi o primeiro exercÃcio antiterrorista conjunto dos paÃses vizinhos desde que a Rússia invadiu a Ucrânia no inÃcio de 2022.
O exercÃcio ocorreu poucos dias depois dos ataques terroristas na região do Daguestão, no sul da Rússia, em 23 de junho, em que pelo menos 22 pessoas foram mortas em tiroteios em duas sinagogas, duas igrejas ortodoxas e um posto policial.
Em março, mais de 140 pessoas foram mortas num ataque a uma sala de concertos em Moscovo – o ataque terrorista mais mortÃfero na Rússia em quase duas décadas. O grupo extremista Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade, mas Moscovo tentou associar a Ucrânia ao ataque, o que foi negado pelas autoridades ucranianas.
O exercÃcio conjunto da semana passada simulou “terroristas que tentavam atravessar a fronteira” para efetuar ataques, disse o diário.
As tropas chinesas e russas utilizaram reconhecimento aéreo, interceção marÃtima e emboscadas em terra para bloquear e capturar terroristas durante o exercÃcio.
O exercÃcio demonstrou a “firme determinação” de ambas as forças armadas em tomar medidas eficazes para combater todas as formas de terrorismo, separatismo e extremismo, ao mesmo tempo que asseguram conjuntamente as suas áreas fronteiriças, de acordo com o jornal.
A mesma fonte indicou que as duas partes também discutiram o aprofundamento da cooperação fronteiriça.
O exercÃcio conjunto da semana passada segue-se a um acordo entre os lÃderes chinês e russo para reforçar a cooperação em matéria de aplicação da lei e defesa, incluindo a expansão de treinos e exercÃcios conjuntos, quando o Presidente russo, Vladimir Putin, visitou Pequim em maio.
As guardas costeiras chinesa e russa assinaram também um memorando de entendimento sobre a cooperação em matéria de aplicação da lei marÃtima em abril do ano passado.
Não é a primeira vez que os dois paÃses realizam exercÃcios conjuntos focados no combate ao terrorismo. Em 2019, a Força Policial Armada Popular paramilitar da China participou de um exercÃcio com a Guarda Russa, realizado na Rússia.
A China intensificou também a própria campanha contra o terrorismo e o separatismo, em particular em Xinjiang, embora Pequim tenha afirmado que a região do extremo oeste do paÃs não regista qualquer ataque terrorista desde 2017. As autoridades chinesas são acusadas de violações dos direitos humanos contra os uigures e outras minorias étnicas muçulmanas em Xinjiang.
Em março, China e Rússia realizaram um exercÃcio marÃtimo com o Irão, centrado nos esforços de luta contra a pirataria. A China e a Rússia também realizaram exercÃcios navais e aéreos conjuntos no mar do Leste, em julho do ano passado.
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