
Pequim, 30 dez 2021 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros da China avisou hoje que os Estados Unidos estão a arriscar vir a pagar um “preço insuportável” pelo seu apoio a Taiwan, que disse colocar a ilha numa “situação extremamente perigosa”.
Numa entrevista à televisão estatal e à agência de notÃcias oficial Xinhua, Wang Yi acusou Washington de encorajar a independência de Taiwan, uma ilha que Pequim considera uma das suas provÃncias, embora seja governada separadamente desde 1949.
“Isto não só colocará Taiwan numa situação extremamente perigosa, mas também colocará os EUA perante um preço insuportável”, advertiu Wang, citado pela agência de notÃcias France-Presse.
Taiwan foi o refúgio das forças do Partido Nacionalista Chinês (Kuomintang) depois de perder a guerra civil com os comunistas em 1949, que, desde então, reivindicam a soberania daquele território.
A ilha fez a transição para um sistema democrático na década de 1990.
A China nunca excluiu a possibilidade de utilizar a força para estabelecer a sua soberania sobre Taiwan e, nos últimos meses, intensificou as incursões aéreas na zona de identificação de defesa da ilha.
Os EUA continuaram a apoiar o armamento de Taiwan e a enviar altos funcionários a Taipé, suscitando crÃticas de Pequim, que pretende impedir qualquer contacto oficial entre a ilha e os governos com os quais mantém relações diplomáticas.
Wang Yi acusou os EUA de utilizarem “direitos humanos e democracia para caluniar e cercar a China e muitos paÃses em desenvolvimento”.
“Os EUA estão constantemente a provocar novos incidentes para prejudicar as relações entre os dois paÃses”, disse.
Na entrevista, segundo o serviço em inglês da Xinhua, Wang Yi também avisou que a ação de “alguns polÃticos ocidentais” não impedirá o êxito dos Jogos OlÃmpicos de Inverno de Pequim, que decorrem entre 04 e 20 de fevereiro.
“Atletas de todas as nacionalidades são as verdadeiras estrelas no palco olÃmpico, aplaudidos por centenas de milhões de fãs do desporto em todo o mundo. As manobras polÃticas de alguns polÃticos ocidentais não prejudicarão uns esplêndidos Jogos OlÃmpicos, mas apenas exporão a sua má intenção”, disse.
O chefe da diplomacia chinesa defendeu que a politização dos Jogos OlÃmpicos por certos paÃses viola e desacredita o espÃrito olÃmpico, que disse reger-se pelos valores da amizade, compreensão mútua, solidariedade e comportamento leal.
“Os Jogos OlÃmpicos de Inverno de Pequim promoverão o espÃrito olÃmpico, ajudarão a aumentar a compreensão e a amizade entre pessoas de diferentes paÃses, demonstrarão a força da solidariedade e cooperação internacionais, e trarão mais confiança e coragem a um mundo ainda sob a sombra de uma pandemia”, acrescentou.
O Presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou que não enviará uma delegação oficial aos jogos de Pequim, embora envie atletas, alegando que o Governo chinês está a cometer abusos dos direitos humanos na região de Xingjiang.
A este boicote diplomático juntaram-se paÃses como a Austrália, a Bélgica, o Canadá, o Reino Unido e o Japão.
O boicote foi criticado pelo Comité OlÃmpico Internacional (COI), que se manifestou “firmemente contra qualquer politização dos Jogos OlÃmpicos e do desporto” numa declaração divulgada em 11 de dezembro.
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