China alerta Riade para “consequências graves” caso guerra se intensifique

Pequim, 03 abr 2026 (Lusa) — O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, alertou hoje para “consequências graves” caso o conflito no Médio Oriente se intensifique, durante uma conversa telefónica com o homólogo saudita, Faisal bin Farhan.

Wang indicou que “o conflito no Irão se prolonga há mais de um mês, causando várias vítimas e perdas, e afetando a segurança e a estabilidade da Arábia Saudita e de outros Estados do Golfo”, segundo um comunicado divulgado pela diplomacia da China.

O responsável chinês afirmou que “a tarefa urgente é centrar esforços na obtenção de um cessar-fogo e pôr fim ao conflito o mais rapidamente possível”.

Wang defendeu ainda que “as ações do Conselho de Segurança da ONU devem evitar a escalada da confrontação e não devem legitimar ações militares não autorizadas; caso contrário, as consequências serão nefastas, sendo os países de pequena e média dimensão os mais afetados”.

“A China valoriza o compromisso da Arábia Saudita na promoção da paz e no fim do conflito e está disposta a cooperar com Riade para restabelecer a paz regional o mais rapidamente possível”, acrescentou.

O ministro referiu-se também à iniciativa de cinco pontos proposta pela China e pelo Paquistão, que inclui “salvaguardar a soberania e a segurança dos Estados do Golfo, cessar ataques contra civis e alvos não militares e garantir a segurança das rotas marítimas”.

O ministro saudita lamentou o “grave impacto” do conflito na “região e no mundo”, segundo o mesmo comunicado.

O responsável saudita indicou ainda que espera reforçar a comunicação e a coordenação com a China em plataformas como as Nações Unidas, para pôr fim ao conflito.

Na quinta-feira, Wang falou por telefone com a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, que lhe transmitiram a urgência de restabelecer o tráfego no estreito de Ormuz e de avançar para uma solução negociada.

O chefe da diplomacia chinesa conversou igualmente com o homólogo do Barém, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, defendendo que o Conselho de Segurança da ONU deve contribuir para “aliviar as tensões” e não para “legitimar atos ilegais de guerra”.

O conflito opõe, desde 28 de fevereiro, o Irão a Israel e aos Estados Unidos, numa escalada que tem incluído ataques a infraestruturas energéticas e afetado o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial e aproximadamente 45% das importações energéticas da China.

A China, principal parceiro comercial de Teerão e maior comprador do petróleo iraniano, tem condenado reiteradamente os ataques ao Irão, embora também tenha apelado ao respeito pela soberania dos países do Golfo, com os quais mantém igualmente estreitas relações.

 

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