
Santarém, 27 jan 2023 (Lusa) — O presidente do Chega propõe-se alcançar “o melhor resultado” da história do partido nas próximas eleições europeias e “começar já a criar uma alternativa ao socialismo” para “ser Governo”.
“O Chega, com os valores que todos os estudos de opinião demonstram, tem de se preparar para ser Governo de Portugal. Esta moção de candidatura apresenta ao partido um propósito: começar já a criar uma alternativa ao socialismo, uma alternativa credÃvel, moderna e acima de tudo com a eliminação da corrupção e da impunidade como os grandes objetivos a alcançar”, lê-se na moção com que se recandidata à liderança do partido.
No texto, ao qual a Lusa teve acesso, o lÃder do Chega aponta “desafios fundamentais pela frente”, entre os quais “a consolidação autárquica e a maior eficiência do partido no seu funcionamento interno, a preparação de grandes apostas para as eleições regionais na Madeira e nos Açores e as eleições europeias de 2024, onde o Chega espera alcançar o melhor resultado da sua história polÃtica”.
Referindo as sondagens que apontam o crescimento das intenções de voto no partido, Ventura adverte que “este caminho, difÃcil de trilhar e cheio de armadilhas, tem de continuar a ser percorrido, custe o que custar”.
“Temos de ser diferentes e mostrar que, quando a hora de ser governo chegar, estamos prontos a governar e a governar de forma diferente. Os portugueses exigem-nos e merecem esse esforço”, defende.
O presidente do Chega considera ser “muito provável que o governo socialista não consiga cumprir esta legislatura até ao fim”, pois está “afogado em casos de incompatibilidades, corrupção, negócios mal explicados e situações mal geridas”.
“António Costa refugiou-se em São Bento e junta apenas os mais leais, incapazes de qualquer observação critica ou modernizadora. O paÃs está parado porque o Governo está absolutamente manietado”, critica.
Na moção de recandidatura, intitulada “Um Governo sem corrupção para Portugal”, André Ventura defende que “o paÃs precisa de acabar com a corrupção” e o “Governo e o parlamento têm de ser os principais agentes de mudança, nesta matéria, em Portugal”.
“Seja em coligação, seja, como esperamos, a liderar o Governo de Portugal, um paÃs sem corrupção é o grande desÃgnio que vos proponho alcançar neste novo mandato enquanto presidente do Chega, já a pensar no Governo de Portugal”, salienta.
Se for eleito, Ventura compromete-se com “um escrutÃnio sem tréguas aos meses que ainda durar o Governo de António Costa, não cedendo um milÃmetro — mesmo que outros prefiram estar calados ou inoperacionais — no escrutÃnio, na denúncia da corrupção”.
Ventura indica que fará “uso de todos os instrumentos parlamentares que mostrem aos portugueses” que estão “a ser conduzidos para o abismo por um mau Governo”.
No texto, o lÃder considera que a “rapidÃssima ascensão do Chega no panorama polÃtico nacional” foi “imprevisÃvel, impensável” e mesmo “um milagre”.
“Este partido deve estar orgulhoso do que representa em Portugal e de todas as transformações que tem provocado no tecido polÃtico deste paÃs. Apesar de uma maioria absoluta, um rolo compressor que quer impor a sua vontade a todo o custo, nunca se fez tanto ruÃdo, nunca se fez tanta transparência, nunca se questionou tanto um Governo como têm feito os deputados, os dirigentes e as estruturas do Chega”, salienta.
Na moção que vai entregar esta noite à V Convenção Nacional do Chega, e que será apresentada aos delegados no sábado, o presidente do partido considera que, a nÃvel interno, “este não é momento de mudar de linha ou de forma de atuação polÃtica, este é momento de continuar o trabalho feito e que tantos resultados tem produzido”.
“Os portugueses estão cada vez mais próximos do nosso partido e crentes nos seus resultados. Este é o momento de lutar, de unidade, de acreditar”, refere.
A V Convenção Nacional do Chega decorre entre hoje e domingo em Santarém para eleição do presidente e dos órgãos nacionais.
A reunião magna – a primeira desde que o Chega se tornou a terceira força polÃtica no parlamento, com a eleição de 12 deputados – foi marcada na sequência do chumbo dos estatutos pelo Tribunal Constitucional mas o partido decidiu não fazer mais alterações e voltar a adotar os estatutos originais, de 2019.
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