
Nações Unidas, 07 abr 2025 (Lusa) – O chefe das Operações de Manutenção da Paz da ONU, conhecidas como capacetes azuis, destacou hoje a natureza mutável dos conflitos globais, onde “ameaças hÃbridas confundem os limites entre domÃnios” e “avanços tecnológicos” abrem novas possibilidades.
Na reunião anual do Conselho de Segurança da ONU com os chefes das componentes militares das operações de manutenção da paz, além dos riscos representados pela tecnologia, Jean-Pierre Lacroix focou-se também nas possibilidades que os avanços tecnológicos oferecem no terreno às missões, nomeadamente na capacidade de estenderem e aumentarem o seu impacto e uso eficiente de recursos.
“O ambiente operacional de hoje é cada vez mais dinâmico e frequentemente caracterizado por ameaças hÃbridas que confundem os limites entre os domÃnios. Nesse contexto, a monitorização do cessar-fogo não pode mais ser apenas sobre estar presente. É sobre entender e agir rapidamente sobre o que está a acontecer no local”, disse.Â
A tecnologia permite aos capacetes azuis, por exemplo, observar paisagens vastas e complexas em tempo quase real, superando as limitações de métodos mais antigos que dependiam principalmente da presença fÃsica.Â
“A tecnologia, portanto, pode ajudar-nos a entregar estratégias coerentes que se baseiam nos princÃpios de consentimento, imparcialidade e não uso da força. E deve ser integrada dentro de um processo polÃtico com apoio unificado dos Estados-membros, e particularmente do Conselho de Segurança”, frisou Lacroix perante o corpo diplomático presente na reunião.
Porém, o representante apontou que os esforços futuros de monitorização por parte das missões precisarão de abordar as “ameaças que vão além dos domÃnios fÃsicos tradicionais”. Â
“Operações de influência, ataques cibernéticos e outras ameaças hÃbridas desafiam os nossos modelos convencionais e exigem abordagens novas e inovadoras”, sustentou, destacando a necessidade de as missões se adaptarem “a novos desafios e novas realidades”.Â
Jean-Pierre Lacroix garantiu que a ONU já está a tomar medidas nessa direção, implementando uma estratégia de transformação digital com ferramentas que permitem “detetar rapidamente violações de cessar-fogo, coordenar respostas e manter a confiança da comunidade”.Â
Depois de Lacroix, discursaram o chefe da missão da ONU no LÃbano (Unifil), o espanhol Aroldo Lázaro Sáenz, e o chefe da força na República Democrática do Congo (Monusco), o brasileiro Ulisses de Mesquita Gomes. Â
Ambos enfatizaram o perigo representado pelas campanhas de desinformação promovidas contra as forças de paz no terreno.Â
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