
Buenos Aires, 28 jun 2026 (Lusa) — Manuel Adorni, chefe de gabinete do Presidente da Argentina, Javier Milei, demitiu-se devido a um escândalo de corrupção, após uma denúncia de enriquecimento ilÃcito e branqueamento de capitais.
“Pela primeira vez desde 10 de dezembro de 2023, estou a ir contra os vossos desejos”, escreveu Adorni na carta de demissão que enviou a Milei, que publicou nas redes sociais, no sábado, referindo-se à data em que Milei assumiu o cargo.
“Obrigado por confiar sempre em mim e obrigado por me apoiar durante este processo injusto, doloroso e exaustivo para mim e para a minha famÃlia”, acrescentou Adorni.
A irmã e principal conselheira do Presidente, Karina Milei, agradeceu a Adorni pelo seu “trabalho incansável” e descreveu-o como um membro “Ãntegro, valioso e muito querido” do partido libertário.
Em 13 de maio, um procurador abriu um inquérito por alegado enriquecimento ilÃcito contra Francisco Adorni, irmão de Manuel Adorni.
De acordo com a imprensa local, o procurador federal Guillermo Marijuán iniciou a investigação contra Francisco Adorni após uma denúncia de enriquecimento ilÃcito e branqueamento de capitais.
Francisco Adorni trabalhou no Ministério da Defesa argentino desde 2014 até ao ano passado, quando foi eleito deputado no parlamento da provÃncia de Buenos Aires pelo partido de Javier Milei, La Libertad Avanza (LLA).
O processo judicial teve inÃcio com uma queixa apresentada pela deputada Marcela Pagano, ex-membro do LLA, que também apresentou queixas sobre as transações financeiras de Manuel Adorni, chefe da Casa Civil da Argentina.
Na denúncia contra Francisco Adorni, Pagano apontou para o aumento do património do então deputado provincial entre 2024 e 2025.
Um outro procurador está a investigar o chefe de gabinete de Milei, depois de queixas apresentadas nos últimos dois meses contra Manuel Adorni, referentes a despesas com a aquisição e renovação de imóveis e viagens de luxo ao estrangeiro com a famÃlia.
O escândalo que envolve o chefe de gabinete prejudicou a imagem do Governo e do próprio Milei, de acordo com várias sondagens de opinião pública, mas o Presidente tinha continuado a apoiar Manuel Adorni, um dos colaboradores mais próximos.
O chefe da Casa Civil da Argentina começou por insistir na sua inocência, durante semanas reiterou que não tinha cometido nenhum crime, embora recusando-se a dar explicações públicas sobre as transações financeiras.
Mas, com o aumento da pressão, no inÃcio de junho, admitiu ter comprado dólares no mercado negro argentino e escondido 500 mil dólares (440 mil euros) em poupanças das autoridades fiscais — uma infração tecnicamente ilegal, embora extremamente disseminada, na Argentina, um paÃs propenso a crises, que em grande parte não é processada.
Adorni insistiu que o dinheiro foi ganho legitimamente, incluindo através de investimentos em criptomoedas.
VQ // VQ
Lusa/fim



