Chefe da mobilização da moçambicana Renamo pede respeito à liderança do partido

Lichinga, Moçambique, 11 set 2026 (Lusa) – O chefe da mobilização da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) criticou hoje a contestação à liderança de Ossufo Momade, defendendo ser tempo de os membros respeitarem estruturas e símbolos do partido, quando se aproxima a realização do Conselho Nacional.

“Estamos aqui para reafirmar que a Renamo de André Matsangaíssa, de Afonso Dhlakama e de Ossufo Momade está firme. Este é o momento de nos unirmos, abraçarmo-nos e respeitarmos a estrutura e os símbolos do partido”, disse Geraldo Carvalho.

O dirigente falava em Lichinga, capital da província do Niassa, norte de Moçambique, onde realiza uma visita de trabalho que inclui encontros com estruturas e lideranças partidárias a nível distrital, além da realização de comícios.

Na ocasião, Carvalho criticou a autoproclamada comissão de gestão da Renamo, formada por antigos guerrilheiros que têm ocupado sedes do partido, afirmando que este não é o momento de “rasgar capulanas [tecido identitário] e panfletos” da formação política.

“Este é o momento de parar e juntar-se ao partido, obedecer às normas do partido, porque é a Renamo que vai reunir”, afirmou.

Em 28 de agosto, a Renamo anunciou a realização do Conselho Nacional em 21 e 22 de outubro, em Maputo, para analisar a situação nacional e interna do partido, cuja liderança de Ossufo Momade é fortemente contestada.

Já na quarta-feira, os ex-guerrilheiros da Renamo que contestam a liderança de Momade voltaram a prometer ações para “resgatar” o partido, alertando que a convocação do Conselho Nacional constitui uma estratégia do atual líder para se manter no cargo.

Nesse sentido, anunciaram a realização da segunda reunião de coordenação da autoproclamada comissão nacional de gestão do partido, marcada para este fim de semana, reiterando que a convocação do Conselho Nacional visa evitar a saída de Ossufo Momade da liderança.

A realização do Conselho Nacional tem sido uma das principais reivindicações dos críticos internos de Ossufo Momade, entre os quais o histórico dirigente e ex-deputado António Muchanga.

Também antigos guerrilheiros têm exigido a saída de Momade da liderança da Renamo, tendo ocupado sedes do partido em várias províncias em sinal de protesto.

O Conselho Nacional chegou a estar convocado para março, mas acabou por não se realizar. Em alternativa, a Renamo promoveu uma reunião de generais e oficiais superiores em Chimoio, na província de Manica, nos dias 27 e 28 de março.

Nessa altura, o partido anunciou que o Conselho Nacional teria lugar ainda durante o primeiro semestre deste ano, o que não aconteceu, acrescentando que Ossufo Momade poderia abandonar a liderança da formação política ainda em 2026.

Há vários meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, para a qual foi reeleito em maio de 2024, acusando-o de “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e de “incompetência total” perante a crise interna do partido.

Em janeiro, Momade afirmou que as crises internas sempre marcaram a história da Renamo, mas sustentou que o partido nunca deixou de funcionar, apesar das divergências internas.

Ossufo Momade sucedeu, em 2018, a Afonso Dhlakama na presidência da Renamo, após a morte do histórico líder do partido.

Momade, de 64 anos, foi candidato presidencial nas eleições gerais de outubro de 2024, nas quais obteve 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela Renamo. O partido perdeu igualmente nessas eleições o estatuto de principal força da oposição.

 

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