Chanceler alemão admite manter centrais a carvão por mais tempo face crise energética

Frankfurt, Alemanha, 27 mar 2026 (Lusa) – O chanceler alemão afirmou hoje que, caso a crise energética provocada pela guerra no Irão se prolongar, a Alemanha poderá ser obrigada a manter em funcionamento as centrais elétricas a carvão por mais tempo do que previsto.

“Se a crise energética continuar e se ocorrer efetivamente uma escassez, poderemos mesmo ser obrigados a manter em funcionamento as centrais a carvão existentes por mais tempo”, afirmou Friedrich Merz, referindo-se ao aumento do preço de hidrocarbonetos devido ao conflito no Médio Oriente.

A Alemanha abandonou definitivamente a energia nuclear em 2023 e está previsto renunciar às centrais a carvão até 2038.

“Temos de abastecer este país com eletricidade. Não estou disposto a pôr em risco o cerne da nossa indústria simplesmente porque optámos por planos de transição que se tornaram irrealistas”, precisou o chanceler.

A Alemanha, cuja economia está em crise há três anos, receia, como grande parte do mundo, ser arrastada para uma situação económica ainda mais grave devido à acentuada subida dos preços dos hidrocarbonetos.

Em causa está o bloqueio por Teerão do Estreito de Ormuz, uma via estratégica para o abastecimento mundial de petróleo e gás.

Momentos antes, durante um fórum organizado em Frankfurt pelo jornal FAZ, Merz considerou improvável que a guerra travada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão conduzisse a uma mudança de regime em Teerão.

“Será que a mudança de regime é realmente o objetivo?”, questionou.

“Se esse for o objetivo, não creio que o alcancem. Na maioria das vezes, isso acabou mal”, acrescentou, citando como exemplo a guerra no Afeganistão.

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, tinha exortado hoje Teerão a iniciar “negociações sérias” com os Estados Unidos.

Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande escala contra o Irão.

O Irão respondeu à ofensiva com ataques contra os países da região e o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via marítima fundamental para escoar o petróleo e o gás natural produzidos na região.

 

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