
 Lisboa, 11 nov 2023 (Lusa) — A secretária-geral da CGTP-IN disse hoje que a proposta de Orçamento do Estado para 2024 (OE2024), que será votada em 29 de novembro, ainda pode ser alterada, salientando que “o Governo vai continuar a funcionar”.
“As instituições têm de continuar a funcionar, a Assembleia da República ainda funcionará durante algum tempo, e este Orçamento do Estado que vai ser votado ainda pode ser alterado, de forma que dê (…) uma resposta efetiva à s necessidades dos trabalhadores e do paÃs”, afirmou aos jornalistas Isabel Camarinha em Lisboa.
A dirigente sindical falava à margem de um protesto da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — Intersindical Nacional (CGTP-IN).
Sob o lema “Pelo Aumento dos Salários/Contra o Aumento do Custo de Vida”, a manifestação juntou vários milhares de pessoas, que marcharam entre a Praça do PrÃncipe Real e o Cais do Sodré.
Gritando palavras de ordem como “a luta continua” ou “o público é de todos, o privado é só para alguns”, os manifestantes reivindicaram aumentos dos salários de pelo menos 15%, com um mÃnimo de 150 euros para cada trabalhador.
“Há muita vida para lá do Orçamento do Estado, há a polÃtica geral do Governo. Mas há também a respostas que as empresas, as associações patronais, têm de dar à necessidade de atualização dos salários, de negociação da contratação coletiva nos vários setores, de resposta aos cadernos reivindicativos que os trabalhadores estão a entregar em massa”, realçou.
Segundo Isabel Camarinha, as empresas “têm a obrigação de dar resposta” para mudar o modelo de gestão e acabar com a precariedade, pondo fim a “todo um ataque aos trabalhadores”.
Prometendo “intensificar a luta”, a sindicalista lembrou ainda que os “trabalhadores estão a empobrecer a trabalhar”.
“Sejam da Administração Pública, sejam do setor privado, temos uma desvalorização das carreiras e das profissões. Temos uma compactação das tabelas salariais que faz com que trabalhadores com muitos anos de trabalho estejam a ver o seu salário aproximar-se de um salário mÃnimo. (…) Daà a nossa proposta, de em 2024 haver 15% de aumento salarial, com pelo menos 150 euros para todos os trabalhadores, e que o salário mÃnimo aumente para 910 euros em janeiro e durante o ano de 2024 para os 1.000 euros”, defendeu.
Isabel Camarinha aproveitou ainda para referir que, aludindo à s eleições legislativas antecipadas agendadas para 10 de março de 2024, quem vai votar “não deve ir atrás dos cantos de sereia dos partidos da direita e da extrema-direita”, que “fingem estar muito preocupados com a situação dos trabalhadores”.
“É preciso que haja o envolvimento, a participação de todo o paÃs, no sentido de garantir que se vota para exigir que o próximo Governo (…) dê a resposta necessária aos problemas que estamos a viver e não que continue no mesmo rumo que tem vindo a ser seguido há décadas”, sublinhou.
Participando na manifestação, que acontece num momento de crise polÃtica após a demissão do primeiro-ministro e da convocação de eleições antecipadas pelo Presidente da República, Francisco Alves recordou que “as pessoas estão a sofrer com um custo de vida elevadÃssimo”.
“As questões da habitação que não são resolvidas, a questão da saúde não está a ser resolvida, a questão da educação não está a ser resolvida. Portanto, temos problemas enormes no paÃs que é preciso resolver. (…) A luta é uma mola que pressiona a polÃtica para resolver os problemas”, observou.
Também a manifestante Sandra Valverde frisou que “os salários não estão a acompanhar o custo de vida”.
“O custo de vida está muito elevado para aquilo que é ordenado mÃnimo nacional e os salários deveriam acompanhar isso. Temos de lutar por melhores condições de vida”, sustentou.
Na marcha de hoje participaram também a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, e o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, que se mostraram solidários com as pessoas que saÃram à rua, dizendo que esta é “mais uma chamada de atenção para o descontentamento que o paÃs enfrenta”.
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