Ceuta: Sánchez diz que Espanha tem de se preparar melhor para “ataques híbridos”

Madrid, 09 set 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse hoje que Espanha tem se preparar melhor para “ataques híbridos” como aquele de que foi alvo em Ceuta, com a entrada ilegal de mais de 70.000 pessoas.

“O Estado tem de melhorar a forma como está preparado perante ataques híbridos desta natureza”, disse Sánchez, numa entrevista à televisão RTVE.

As cidades de Ceuta e Melilla são as únicas fronteiras terrestres de Espanha e da Europa no continente africano, o que lhes dá “uma singularidade muito importante”, sendo necessário “investir muito mais no controlo e no perímetro da fronteira”, acrescentou.

Segundo Sánchez, o investimento já feito no reforço dessas fronteiras dos dois enclaves de Espanha no norte de África nos últimos anos e outro previsto para os próximos meses ascende a 180 milhões de euros.

O primeiro-ministro considerou logo nos dias da entrada ilegal de pelo menos 72.000 pessoas Ceuta, em 30 e 31 de julho, que o episódio foi um ataque à integridade territorial de Espanha.

Hoje voltou a garantir que o Governo que lidera não recebeu qualquer aviso, por parte de forças de segurança ou serviços de informações, de que podia haver uma avalanche com a dimensão da que se registou em Ceuta no final de julho.

Sánchez defendeu que Espanha tem também de melhorar e aumentar as infraestruturas para acolhimento temporário de migrantes en cidades como Ceuta e Melilla, que lidam com uma “realidade estrutural” de tentativas de entradas ilegais em fronteiras onde existem desigualdades muito significativas entre os dois lados (o europeu e o africano).

O primeiro-ministro sublinhou que só com centros de acolhimento é possível fazer as triagens exigidas pelas leis nacionais e europeias e acionar os processos de repatriamento ou asilo.

Sánchez elogiou, por outro lado, a atuação das forças de segurança espanholas na fronteira de Ceuta com Marrocos nos dias 30 e 31 de julho, quando perante uma avalanche de pessoas incontrolável não recorreram à força ou “dispararam tiros”.

Se tivesse sido outra a atuação das forças de segurança, a crise seria hoje “ainda maior”, não apenas em Ceuta como a nível das relações bilaterais com Marrocos e da imagem internacional de Espanha, o que seria “bastante lamentável”, considerou.

Face às acusações da oposição e também partidos aliados do Governo de subserviência a Marrocos ou de que está sob chantagem de Rabat, Sánchez defendeu que tem tido ao longo dos anos um “política externa coerente” e de respeito pelo direito internacional e deu como exemplo as posições que tem assumido em relação a Gaza ou a políticas dos Estados Unidos de Donald Trump.

“Este Governo obviamente não aceita nenhuma chantagem”, afirmou.

Sánchez, que tem dito não ter qualquer prova do envolvimento de Marrocos no ocorrido em Ceuta, defendeu ainda que Espanha, “ao estar em África” e na “primeira linha” de fronteira com um continente onde “faltam oportunidades”, tem “uma realidade migratória com que tem de trabalhar”, o que inclui cooperar com países de origem e trânsito de pessoas que querem alcnçar a Europa.

“E isto não é incompatível” com “a defesa da soberania” espanhola de Ceuta e Melilla, acrescentou.

Referindo-se às eleições na região alemã da Saxónia-Anhalt, Sánchez considerou que “há uma ameaça real para a democracia que é a extrema-direita” e “é evidente que há uma internacional de extrema-direita” que quer fazer cair também o atual governo de esquerda de Espanha.

Neste contexto, reiterou que redes sociais ligadas à Rússia e a Israel e ‘think tanks’ (grupos de reflexão) dos EUA participaram, “não à origem”, mas na “expansão e amplificação” de desinformação sobre Ceuta.

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