César fala de “complicações” no Governo e defende diálogo ao centro como “caução do regime”

Lisboa, 23 jul 2026 (Lusa) – O presidente do PS pediu hoje confiança no país “sejam quais forem as contrariedade conjunturais” como as “complicações que que têm envolvido” o atual Governo e defendeu que o “diálogo entre os partidos centrais” é a “caução do regime”.

Carlos César falava na abertura de uma sessão evocativa dos 50 anos do I Governo Constitucional, liderado por Mário Soares, na sede nacional do PS, em Lisboa.

O socialista afirmou que “não há nunca razão definitiva” para o país pensar que está “condenado a parar no tempo ou a andar para trás”, mesmo que haja mudanças no contexto internacional ou uma avaliação negativa do Governo.

“Mesmo nos tempos que vivemos, seja no plano europeu e internacional, seja face à avaliação que por estes dias fazemos do atual Governo da República , incluindo as complicações que têm envolvido as figuras e os mandatos do primeiro-ministro, do ministro da Presidência, da ministra da Saúde, da ministra do Trabalho, do ministro da Educação ou do ministro da Administração Interna”, acrescentou.

Para Carlos César, “sejam quais forem as contrariedades conjunturais”, deve-se “continuar a confiar nas capacidades e nos destinos do país”.

O dirigente do PS considerou também que se deve trabalhar sempre com o objetivo de fazer “melhor no presente pelo futuro”, defendendo que, tal como acontecia em 1976, o “diálogo social e o diálogo entre os partidos centrais da democracia, que se alternam na suas propostas, são essenciais e são a caução do regime”.

O socialista afirmou também que há o hábito de olhar para Portugal “em plano inclinado ou com sucessivas crises de estima”, mas argumentou que “há progressos que animam a história económica e social” dos últimos 50 anos do país e que “não se devem apenas ao cursos inevitável dos tempos”.

“Foi por esforço dos portugueses e por lideranças como as de Mário Soares que fizemos esse percurso”, considerou ainda.

Neste discurso, Carlos César afirmou que “as orientações, iniciativas e vitórias do PS “foram decisivas para a consolidação progressiva e contínua” do caminho que se seguir após a Revolução de Abril.

 O presidente do PS frisou que “coube a Mário Soares, por vontade expressa dos portugueses, a liderança do processo de pacificação” do país e disse não querer evocar os 50 anos da tomada de posse do I Governo Constitucional “com qualquer saudosismo”, mas pelo seu papel a “moldar a consciência de várias gerações” e influência no país atual.

“Os socialistas fazem e devem fazer para que a memória não se apague nem se subverta, mas também para evidenciar a mudança desencadeada e todos os progressos que esse novo período gerou”, enfatizou.

O I Governo Constitucional, chefiado pelo socialista Mário Soares, tomou posse a 23 de julho de 1976 depois das eleições legislativas de 1976, as primeiras depois de aprovada a Constituição de 1976, e terminou o seu mandato em janeiro de 1978, na sequência da rejeição de uma moção de confiança.

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Lusa / FIm