
Maputo, 20 mar 2026 (Lusa) — A Cervejas de Moçambique (CDM) comprou cerca de 33,5 mil toneladas de milho a produtores nacionais para reforçar a produção de cerveja com recurso a matéria-prima local e reduzir a dependência de importações, anunciou hoje a empresa.
“O nosso compromisso é continuar a desenvolver a marca Impala com base no milho produzido em Báruè e em outras regiões do país, ao mesmo tempo que contribuímos para o crescimento dos produtores”, disse o administrador executivo da CDM, Bruno Tembe, citado num comunicado.
O anúncio foi feito após um dia de campo no distrito de Báruè, província de Manica, no centro de Moçambique, que reuniu agricultores e intervenientes da cadeia de valor do milho.
A CDM diz que a iniciativa, organizada em parceria com a Empresa de Comercialização Agrícola (ECA), se enquadra-se na sua estratégia de aprofundar a ligação com os produtores e consolidar o abastecimento local de matérias-primas.
Segundo o responsável, a empresa aposta numa integração mais ampla da cadeia de valor, mantendo contacto direto com agricultores, processadores e fornecedores de insumos, num modelo iniciado em 2012 e reforçado com o lançamento da cerveja Impala Milho em 2017.
“Por detrás de cada cerveja que pousa num copo, por cada cerveja que está num bar, ela tem uma história muito grande que vem até estas terras. Por isso é importante nós conhecermos toda a cadeia de valor e trabalharmos em conjunto”, acrescentou em declarações aos jornalistas em Chimoio.
A CDM trabalha atualmente com cerca de 16 mil produtores de milho em Manica, número que pretende expandir, acompanhando o crescimento da procura e o aumento da produção local.
Tembe reconheceu, contudo, desafios na redução dos custos de produção, apontando limitações na assistência técnica a sistemas de irrigação como um dos principais constrangimentos.
“Precisamos de ter a assistência técnica aqui. Então é algo que nós continuamos a trabalhar para ver se encontramos. Já vimos que o potencial agrícola aqui é enorme e faz todo o sentido na zona centro, pelo menos ter uma empresa que forneça e que faça assistência técnica a sistemas de irrigação”, referiu.
A empresa reiterou ainda a necessidade de alargar a produção nacional a outros insumos industriais, com vista à redução das importações e à poupança de divisas.
“Queremos que as garrafas, as tampas das garrafas, as latas, possam ser produzidas localmente e que com isso poupemos divisas no país. Não estar a importar, é, latas, garrafas, rótulos, todos esses materiais serem locais”, sublinhou.
Por sua vez, o gestor de agronomia da ECA, Lázaro Salizani, destacou que a parceria tem permitido melhorar práticas agrícolas e garantir mercado para os produtores.
“Apoiamos os produtores ao longo de todo o ciclo produtivo e asseguramos a compra do milho para fornecimento à CDM, numa parceria que tem vindo a gerar resultados concretos”, afirmou.
A parceria entre a CDM e a ECA, iniciada em 2012, é apontada como um modelo de integração entre o setor empresarial e agrícola, contribuindo para o desenvolvimento rural e para o aumento do rendimento de milhares de famílias.
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