
Genebra, SuÃça, 29 abr 2025 (Lusa) – Cerca de 52 mil migrantes morreram na última década, desde 2014, a tentar fugir das crises humanitárias em todo o mundo, avançou um relatório hoje divulgado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Estas mortes representam três quartos do total registado de mortos desde 2014 pela OIM (74.408) no Projeto Migrantes Desaparecidos, através do qual realiza uma monitorização contÃnua de vÃtimas das rotas migratórias em todo o mundo.
De acordo com o projeto, o Mediterrâneo é a rota mais perigosa, registando quase 25.000 mortes em 11 anos, mas o relatório defende que as áreas “mais mortÃferas” para os migrantes são as regiões de crise.
Mais de metade (54%) de todas as mortes de migrantes aconteceu, de acordo com o documento, em paÃses afetados por conflitos e catástrofes ou nas suas proximidades.
Foi o caso do Afeganistão, onde morreram cerca de 5.000 pessoas, muitas delas a tentar fugir do paÃs depois de os talibãs terem assumido novamente o poder em agosto de 2021, ou de Myanmar (antiga Birmânia), onde mais de 3.100 pessoas, sobretudo da minoria rohingya morreram, muitas delas em naufrágios quando tentavam chegar à costa do vizinho Bangladesh.
Entre as zonas mais crÃticas contam-se ainda a Etiópia, onde foram registadas 1.923 mortes, a SÃria, com 1.433 mortes, a Guatemala (792), a Venezuela (764) e o Haiti (593).
A completar a lista dos mais afetados estão os migrantes das Honduras (522 mortes), do Sudão (449) e do Bangladesh (346).
“Estes números servem como um trágico lembrete de que as pessoas colocam as suas vidas em risco quando a insegurança, a falta de oportunidades e outras pressões não lhes deixam saÃda nos seus paÃses de origem”, afirmou a diretora-geral da OIM, Amy Pope, na apresentação do relatório.
A responsável incentivou a adoção de medidas adicionais para aumentar a segurança destes grupos e o investimento em oportunidades de desenvolvimento nos seus paÃses de origem “para que a migração seja uma escolha e não uma necessidade”.
“Quando já não for possÃvel permanecer [nos seus paÃses], devemos trabalhar em conjunto para estabelecer rotas seguras, legais e ordenadas que salvarão vidas”, sublinhou.
A organização que integra o sistema das Nações Unidas lamentou que, apesar da gravidade do panorama global, os migrantes não sejam prioridade quando se planeia a assistência humanitária.
“Embora um em cada quatro migrantes desaparecidos venha de um paÃs afetado por uma crise, a ajuda muitas vezes não inclui medidas para proteger aqueles que são forçados a mudar-se”, refere o documento.
A coordenadora do Projeto Migrantes Desaparecidos da OIM, Julia Black, observou que “os migrantes são frequentemente deixados de fora das estatÃsticas”, especialmente em zonas de catástrofe, pelo que “o verdadeiro número de mortos pode ser muito maior do que o reportado”.
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