
Lisboa, 16 out 2021 (Lusa) — Cerca de três centenas de pessoas participaram hoje em Lisboa numa marcha em silêncio e em fila única contra o tráfico humano e a escravatura moderna, uma iniciativa que decorreu em 500 cidades de 52 paÃses.
Promovida pelo movimento A21, organização global de luta contra o tráfico humano, a caminhada decorreu, além de Lisboa, no Porto, Portimão e Chaves, numa iniciativa que acontece pela terceira vez em Portugal no âmbito do Dia Europeu de Combate ao Tráfico de Seres Humanos, que se assinala na segunda-feira.
Vestidos com camisolas pretas, os cerca de 300 participantes caminharam entre o Marquês de Pombal e a Praça do MunicÃpio.
“Esta é uma marcha em silêncio e em fila única contra o tráfico humano e a escravatura moderna, que infelizmente ainda acontece nos nossos dias”, disse à Lusa HeloÃsa Gonçalves, representante em Portugal da organização A21.
A ativista recordou os mais recentes dados do Observatório do Tráfico de Seres Humanos para dar conta da dimensão do problema em Portugal, frisando que estão em investigação no paÃs 350 casos e destacando as situações que existem ao nÃvel do desporto.
HeloÃsa Gonçalves sustentou que os números podem ser maiores, uma vez que existe “uma grande dificuldade” de as vÃtimas se reconhecerem como tal.
A representante em Portugal da organização A21 disse também que no paÃs “tem sido feito um trabalho incrÃvel de formação” junto das polÃcias e dos decisores para que se consiga distinguir as diferenças entre violência doméstica, tráfico humano e lei do trabalho.
HeloÃsa Gonçalves frisou que os participantes nesta caminhada simbólica são “as vozes das vÃtimas e das famÃlias em silêncio”.
Também hoje à tarde, no mesmo local e à mesma hora, no Marquês de Pombal, cerca das 16:00, decorreram outros protestos, seguidos de manifestações pela Avenida da Liberdade e até ao Rossio.
Uma manifestação contra os impostos nos combustÃveis, convocada através das redes sociais, reuniu 15 pessoas que no percurso pela Avenida da Liberdade foram acompanhadas por seis polÃcias.
Já outra manifestação contra o Governo de Angola e “falta de democracia” naquele paÃs africano concentrou cerca de duas dezenas, num protesto convocado pela Voz da Diáspora Angolana, pelo Bloco Democrático e pela Juventude da Unida em Lisboa.
As ruas de Lisboa foram também hoje à tarde preenchidas por milhares de motociclistas que se manifestaram contra a imposição de inspeções obrigatórias nos motociclos a partir de janeiro de 2022, alegando interesses económicos na base desta medida. O protesto decorreu noutras cidades portuguesas.
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