
Amã, 26 dez 2024 (Lusa) – Cerca de 18 mil sÃrios deixaram a Jordânia para regressar ao seu paÃs desde a queda do presidente Bashar al-Assad, a 08 de dezembro, anunciou hoje o ministro do Interior jordano, Mazen al-Faraya.
Entre os que regressaram, acrescentou o ministro jordano, contam-se 2.300 refugiados registados junto das Nações Unidas.
A Jordânia, que partilha 375 quilómetros de fronteira com a SÃria, acolhe cerca de 680 mil refugiados sÃrios registados no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, mas Amã afirma ter recebido cerca de 1,3 milhões de pessoas deslocadas desde o inÃcio da guerra na SÃria, em 2011.
Na terça-feira, o ministro do Interior turco, Ali Yerlikaya, também tinha avançado que mais de 25 mil refugiados sÃrios tinham atravessado a fronteira para regressar ao seu paÃs nos últimos 15 dias.
A Turquia alberga cerca de 2,92 milhões de sÃrios que fugiram da guerra.
Numa conferência de imprensa sobre a situação da SÃria realizada há uma semana, a lÃder da Organização Internacional para as Migrações (OIM) desaconselhou os regressos em grande escala de refugiados à SÃria, explicando que isso iria sobrecarregar infraestruturas que já estão demasiado frágeis.
“Por enquanto, não estamos a promover regressos em grande escala. A comunidade não está pronta para absorver os milhões de pessoas que estão fora. Acreditamos que isso criaria um conflito com uma sociedade que já está frágil”, afirmou, na altura, Amy Pope.
“Os retornos que se estima que aconteçam são numa escala muito maior do que temos visto, e integrar aqueles que regressam em paralelo com ter justiça na transição será uma tarefa verdadeiramente monumental”, alertou.
A diretora da OIM lembrou ainda que mesmo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) considerou que muitas comunidades não estão preparadas para absorver o regresso de deslocados internos e refugiados, sublinhando que “todos os regressos devem ser voluntários, dignos e seguros”.
Desde 2011, quando começou a guerra civil, mais de 14 milhões de sÃrios foram obrigados a fugir das suas casas em busca de segurança devido a um conflito que tornou o paÃs numa das maiores crises humanitárias do mundo.
A maior parte dos refugiados partiu para os cinco paÃses vizinhos da SÃria — Turquia, LÃbano, Jordânia, Iraque e Egito -, mas muitos foram um pouco mais longe, para a Europa, criando a maior vaga de refugiados desde a II Guerra Mundial. Só a Alemanha recebeu cerca de um milhão.
Entre 2015 e 2023, a União Europeia (UE) deu proteção internacional a quase 1,3 milhões de sÃrios e cortou laços diplomáticos com o regime de Bashar al-Assad, acusando-o de utilizar armas quÃmicas contra o seu próprio povo.
Numa ofensiva relâmpago iniciada a 27 de novembro, uma coligação de grupos rebeldes liderada pela Organização de Libertação do Levante (Hayat Tahrir al Sham – HTS, em árabe), herdeira da antiga afiliada sÃria da Al-Qaida e classificada como grupo terrorista por vários paÃses ocidentais, tomou as posições das tropas governamentais sÃrias em poucos dias e apoderou-se de Alepo, que era, em grande parte controlada pelo regime.
Bashar al-Assad, que esteve no poder 24 anos, foi derrubado no dia 08 de dezembro e fugiu com a famÃlia para a Rússia.
O novo poder instalado em Damasco nomeou o polÃtico Mohammed al-Bashir como primeiro-ministro interino do governo sÃrio de transição, cargo que assumirá até março de 2025.
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