
Viena, 09 jul 2026 (Lusa) — Cerca de 1,6 milhões de crianças ucranianas que vivem sob controlo russo estão expostas a sistemas de doutrinação e militarização, segundo um relatório divulgado hoje pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
As conclusões de peritos independentes nomeados pela OSCE, apresentadas em Viena, concluÃram que Moscovo criou um sistema institucionalizado para doutrinar estas crianças.
“Consideramos (…) que este sistema poderá constituir um crime contra a humanidade de perseguição”, afirmou o perito francês Hervé Ascensio, acrescentando que as crianças e os seus pais eram alvo de perseguição quando tentavam manter a identidade ucraniana.
Segundo a especialista da Letónia Elina Steinerte, as autoridades terão enviado as convocatórias militares mais cedo do que noutras regiões da Rússia aos jovens dos territórios ocupados.
Steinerte indicou que vários jovens entrevistados tinham abandonado os territórios “sem avisar as suas famÃlias” para escapar ao serviço militar obrigatório.
O relatório, que documenta cursos de manuseamento de armas e campos de treino, menciona vários casos de jovens adultos que foram alistados e posteriormente enviados para a linha da frente na Ucrânia.
A OSCE recomenda que a questão das crianças seja integrada em qualquer processo de cessar-fogo ou de negociação de paz, bem como a abertura de corredores humanitários para permitir o reencontro familiar.
Segundo Steinerte, a Ucrânia já aplicou alguns “programas de reintegração”, mas o trabalho a realizar “é enorme”.
Os especialistas estimam que as violações afetam cerca de 1,6 milhões de crianças que vivem na Crimeia ou nas regiões ucranianas parcialmente ocupadas pela Rússia.
Kiev afirma que 20.610 crianças foram transferidas para o território russo.
Este relatório decorre do Mecanismo de Moscovo, um mecanismo da OSCE que visa investigar a situação dos direitos humanos neste conflito.
O mecanismo foi ativado a 14 de maio por 41 Estados-membros da organização.
Trata-se da sexta missão deste tipo relativa à Ucrânia desde 2022 que, desta vez, se centrou na militarização e na doutrinação das crianças ucranianas.
Os peritos realizaram, nomeadamente, entrevistas e investigações na Ucrânia entre 06 e 11 de junho.
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