
Funchal, Madeira, 06 set 2023 (Lusa) — Cerca de 10 em cada 100 condutores fiscalizados na Madeira apresentam uma taxa de álcool no sangue superior ao permitido, indicou hoje o comandante regional da PSP, defendendo que a sociedade “tem de refletir” sobre o “abuso do álcool”.
Considerando que é preciso prevenir comportamentos que estão na origem de crimes, acidentes, violência e insegurança, LuÃs Simões realçou que, além do consumo de drogas, “sejam convencionais ou novas substâncias psicotrópicas”, a “sociedade tem refletir sobre o abuso do álcool”.
“É esta, como sabem bem os polÃcias deste comando regional, uma das principais causas da violência doméstica, de desordens, de ofensas à integridade fÃsica, de agressões e de muitos dos danos da própria resistência, coação ou agressão a agentes da autoridade”, afirmou o comandante, que discursava na cerimónia comemorativa do 145.º aniversário do Comando da PolÃcia de Segurança Pública (PSP) da Madeira.
“E, com muita frequência, está na origem de graves acidentes rodoviários, que provocam mortos e feridos graves nas estradas da região”, acrescentou.
LuÃs Simões adiantou que, na Madeira, “em cada 100 condutores fiscalizados, 10 (dados de 2022) ou 11 (dados do primeiro semestre de 2023), estão a conduzir com taxas de álcool no sangue superior ao limite legal permitido [0,5g/l]”, salientando que “estas taxas de 10, 11% são muito superiores” face ao continente, que regista uma taxa de cerca de 6%.
A PSP madeirense registou no ano passado 1.048 crimes de condução sob influência do álcool e deteve 825 pessoas em flagrante delito.
Já no primeiro semestre deste ano efetuou “550 detenções em flagrante delito e estão registados mais de 650 crimes desta tipologia”, indicou o comandante.
LuÃs Simões referiu, por outro lado, que a criminalidade geral apresenta uma tendência de “ligeiro crescimento”, na ordem dos 3%, nos primeiros oito meses deste ano, em relação ao mesmo perÃodo do ano passado.
O comandante apontou que este aumento se justifica, no caso dos crimes contra as pessoas, por “um novo aumento da violência doméstica entre cônjuges e das ofensas à integridade fÃsica voluntária simples”.
Em relação aos crimes contra o património, contribuÃram para o aumento “os furtos de oportunidade e em estabelecimento comercial, os furtos com arrombamento, escalamento ou chaves falsas em residências e estabelecimentos e nas burlas”.
Em sentido contrário, a criminalidade violenta e grave “apresenta uma tendência de diminuição superior a 5%, em contraciclo com a tendência nacional até ao momento”, sublinhou LuÃs Simões.
Relativamente ao efetivo da PSP na região, o comandante destacou que está previsto um reforço “no próximo mês”, que será “direcionado para a segurança aeroportuária”.
LuÃs Simões mostrou-se convicto que “a admissão de pessoal não policial para a PolÃcia de Segurança Pública, que já tem o aval polÃtico, permitirá nos próximos dois a três anos um impacto positivo no número de polÃcias em funções operacionais”.
Dirigindo-se à população, o comandante assegurou igualmente que “não há risco de se fecharem esquadras na Madeira, nem de noite nem de dia”.
O diretor nacional da PSP, José Barros Correia, que tomou posse na segunda-feira e também marcou hoje presença no aniversário do comando regional, garantiu que fará o que estiver ao seu alcance para que “sejam asseguradas as melhores condições”, profissionais e pessoais, aos polÃcias da Madeira.
O secretário regional das Finanças, Rogério Gouveia, em representação do presidente do Governo madeirense, destacou, por sua vez, que o executivo “tem encetado todos os esforços para ajudar a resolver várias carências” da PSP na região, embora essa seja uma matéria “que depende do Ministério da Administração Interna”.
O governante recordou que, face à “premente necessidade” de a Madeira ter instalações apropriadas e, sendo esta uma competência e responsabilidade do Estado, o Governo Regional mostrou-se várias vezes disponÃvel para celebrar contratos interadministrativos com a República, que permitam reabilitar e construir novas esquadras.
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