
Lisboa, 19 dez 2025 (Lusa) — O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) alertou para o aumento das infeções sexualmente transmissÃveis entre jovens, particularmente a gonorreia, e defendeu que a educação sobre esta matéria em contexto escolar é crucial.
Num relatório hoje divulgado, o ECDC (sigla em inglês) alerta para um aumento das taxas de gonorreia entre os jovens, em particular mulheres com idades entre 20 e 24 anos, onde as taxas de notificação aumentaram quase 200% entre 2021 e 2023, sinalizando uma “necessidade urgente” de respostas nacionais “robustas e inclusivas”.
Os peritos da organização consideram ainda que a educação sobre o VIH e a sexualidade baseada em competências para a vida, em contextos escolares e de acordo com as normas internacionais, é crucial para capacitar os jovens a “assumirem o controlo e tomarem decisões informadas sobre a sua sexualidade e relações de forma livre e responsável”.
No âmbito do sistema de monitorização do VIH da Declaração de Dublin do ECDC, são recolhidas informações sobre as polÃticas nacionais de educação que orientam a prestação de educação abrangente sobre o VIH e a sexualidade em contextos educativos.
De acordo com os últimos dados comunicados por 26 paÃses da UE/EEE em 2023, ou o ano mais recente com dados disponÃveis, tais polÃticas existem em contextos escolares do ensino básico em 15 paÃses, em contextos escolares do ensino secundário em 19 paÃses e em institutos de formação de professores em 13 paÃses. Em todos estes casos Portugal está incluÃdo.
Portugal não integra o grupo de paÃses que reportou a existência de tais polÃticas em universidades.
O relatório sublinha que os preservativos, quando usados corretamente e de forma consistente, estão entre os métodos mais eficazes de prevenção primária contra as infeções sexualmente transmissÃveis.
Diz que o Plano de Ação Regional Europeu da Organização Mundial da Saúde para acabar com a SIDA e as epidemias de hepatite viral e infeções sexualmente transmissÃveis não tem uma meta especÃfica para o uso de preservativos entre os indicadores destas infeções, no entanto, a meta provisória de cobertura de prevenção do VIH para 2025 visa que 90% das populações-chave tenham usado preservativo na última vez que tiveram relações sexuais com um cliente ou parceiro não regular.
Como os jovens não estão incluÃdos como população-chave no questionário de monitorização do VIH da Declaração de Dublin, foi solicitado aos paÃses, no questionário de monitorização das infeções sexualmente transmissÃveis, que fornecessem os dados disponÃveis sobre a proporção de jovens (entre 15 e 24 anos) que relataram ter usado preservativo na última relação sexual nos últimos seis meses.
Entre os 12 paÃses (Portugal incluÃdo) com dados disponÃveis, as estimativas variaram entre 13 % e 75 %, o que significa que “nenhum paÃs atingiu a meta intermédia de cobertura de prevenção do VIH de 90 %”, apontam os peritos do ECDC.
O número relativamente baixo de paÃses que comunicaram dados sobre o indicador relativo à utilização de preservativos entre os jovens no questionário de monitorização das infeções sexualmente transmissÃveis está em consonância com os dados disponÃveis dos paÃses da UE/EEE sobre a utilização de preservativos entre as populações-chave durante os últimos seis meses.
De acordo com os dados mais recentes disponÃveis, em 2024 ou no ano mais recente, as estimativas variaram entre 25 % e 75 % entre os homossexuais, bissexuais e outros homens que têm sexo com homens (cinco paÃses), 10 % e 34 % entre as pessoas que injetam drogas (oito paÃses), 11-55% entre migrantes (dois paÃses), 55-100% entre profissionais do sexo (seis paÃses) e 62-85% entre pessoas trans (quatro paÃses). Portugal surge entre todos estes grupos.
Além disso, os profissionais do sexo foram a única população-chave que supostamente excedeu a meta de uso de preservativos para 2025.
Em 2024, o ECDC realizou um mapeamento de inquéritos sobre comportamento sexual, em resposta ao aumento destas infeções entre os jovens após a pandemia da covid-19 e centrou-se na identificação de inquéritos representativos sobre comportamento sexual entre a população em geral, realizados na UE/EEE durante o perÃodo 2019-2024.
A este respeito, o ECDC destaca a disponibilidade limitada de dados sobre comportamento sexual, em particular ao longo do tempo. Além disso – refere -, as diferenças nas abordagens metodológicas, na formulação dos indicadores e no uso de termos subjetivos e/ou desatualizados para o comportamento sexual, particularmente no que diz respeito aos tipos de parceiros, “tornam difÃcil fazer comparações entre essas pesquisas”.
Por isso, chama a atenção para a necessidade de atualizar e definir melhor a terminologia padrão para capturar o comportamento sexual nas pesquisas, a fim de facilitar as comparações dos principais indicadores.
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