
Lisboa, 04 out 2023 (Lusa) — O governador do Banco de Portugal (BdP), Mário Centeno, defendeu hoje que é preciso cautela nas decisões orçamentais e polÃticas, alertando que o aperto financeiro não está concluÃdo, e defendeu que os excedentes não são um fim em si mesmo.
Mário Centeno falava hoje na apresentação do “Boletim Económico” de outubro, no Museu do Dinheiro, em Lisboa, salientando que a polÃtica orçamental do paÃs se tem pautado pela redução da dÃvida para numa “encruzilhada” seguir uma trajetória sustentável.
“O aperto financeiro não está concluÃdo, o que significa que temos de ter alguma cautela com as decisões no futuro próximo”, afirmou o responsável do supervisor bancário português.
Destacando que existe a previsibilidade necessária do lado da polÃtica monetária e que se pode esperar que o ciclo de subida das taxas de juro com as atuais condições tenha sido concluÃdo, alertou, contudo, que “a taxa de juro real vai continuar a aumentar”.
“É de admitir e esperar que haja ainda efeito significativo da polÃtica monetária nas condições de financiamento e na economia ainda por se materializar”, disse.
Insistentemente questionado sobre recomendações para a polÃtica orçamental (quando o Orçamento do Estado para 2024 (OE2024) está a poucos dias de ser entregue pelo Governo no parlamento), o antigo ministro das Finanças defendeu a importância dos equilÃbrios orçamentais.
“Os excedentes orçamentais não são um fim em si mesmo, são uma dimensão do equilÃbrio, em que um paÃs como Portugal, com a dÃvida que tem, deveria estar preocupado”, disse.
Centeno apelou para que, no atual contexto internacional e em que existe “alguma tensão” na avaliação do presente e projeção do futuro, as decisões sejam crescentemente coordenadas”.
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