
Maputo, 10 mar 2023 (Lusa) — Cerca de 400 pessoas, maioritariamente jovens, juntaram-se hoje em Maputo numa vigÃlia pelo ‘rapper’ e ativista Azagaia, que morreu na quinta-feira, e anunciaram uma marcha pacÃfica pelo centro da capital para 18 de março.
“Os moçambicanos vão marchar em homenagem a Azagaia”, da estátua de Eduardo Mondlane no centro da cidade até à Praça da Independência, de forma “pacÃfica” e “dentro daquilo que a Constituição permite”, referiu Quitéria Guirrengane, uma das ativistas na organização da vigÃlia de hoje.
O objetivo é marchar até à Praça da Independência, porque “independência é liberdade” e, referiu, querem “libertar este povo”.
“É esta a mensagem que vamos passar, do povo que vai tomar o poder”, acrescentou, em alusão a um dos temas mais conhecidos por entre as letras de intervenção de Azagaia.
“Povo no poder, é isso que é a democracia”, referiu Manuel de Araújo, presidente do municÃpio de Quelimane, um dos raros autarcas da oposição em Moçambique, também presente na vigÃlia.
Araújo qualificou Azagaia como o seu “herói”, “o protótipo do jovem” que “gostaria de ter sido”.
“Confesso que não consegui”, admitiu o autarca do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) — que mesmo com o seu municÃpio na rota um ciclone, fez uma escolha: “Prefiro estar aqui com Azagaia, depois vamos tratar do ciclone”.
Azagaia, nome artÃstico de Edson da Luz, morreu na quinta-feira, aos 38 anos, em sua casa, em circunstâncias ainda não divulgadas.
Ficou célebre pela crÃtica aberta à governação de Moçambique e por dar voz à s crÃticas da população num dos paÃses mais pobres do mundo.
“Foi um herói da nossa geração”, referiu Quitéria Guirrengane, uma das animadoras que proferiu palavras de ordem durante a vigÃlia, organizada por jovens, sem representar organizações.
“O povo no poder” foi um dos refrãos mais vezes entoado no pavilhão de Maputo que acolheu a vigÃlia, pontuado por velas acesas em memória do autor das letras mais crÃticas do poder em Moçambique.
“Azagaia nos convocou a ‘sequestrar’ o Presidente [outro tema do ‘rapper’] no sentido de assegurar que aqueles que estão no poder polÃtico representam as aspirações de toda uma geração”, ilustrou Quitéria.
Para a ativista, o ‘rapper’ ensinou Moçambique “a questionar a mentira da verdade” — em alusão ao tÃtulo de outro dos seus famosos temas — e cabe aos jovens “salvaguardar que ele vive nos seus corações”.
No meio da multidão, havia vários jovens que cultivam o hip-hop, como um que dá pelo nome artÃstico de Young Nigger G.
“Estou aqui para comemorar a vida do meu Ãdolo”, referiu, comparando Azagaia ao “acordar do povo”.
“Ele educava toda a sociedade”, acrescentou, ali ao lado, Hortência Franco, ao explicar que as letras do ‘rapper’ a fazem pensar e que essa reflexão atravessa gerações de moçambicanos.
Para dia 18 está marcada a marcha em Maputo e Quitéria Guirrengane acredita que não haverá entraves, apesar de a polÃcia moçambicana, por norma, não permitir manifestações.
“Os nossos amigos da polÃcia já têm consciência de que a manifestação é um direito constitucional. Esperamos que o municÃpio se conforme com a lei” perante uma iniciativa “pacÃfica”, com “uma mensagem poderosa, de que é tempo de mudança”, concluiu.
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