Centenas de pessoas protestam em Nairobi contra assassínios de mulheres e crianças

Nairobi, 01 jun 2026 (Lusa) – Centenas de pessoas desfilaram hoje na capital queniana, Nairobi, para protestar contra o elevado número de assassínios de mulheres e crianças neste país que soma também, em 16 meses, o desaparecimento de 10.581 menores de idade.

Pelo menos 69 mulheres foram mortas neste país da África Oriental desde o início de janeiro, de acordo com informações compiladas pelo agregador de dados queniano Odipo Dev e pelo órgão de comunicação social Africa Uncensored.

O Governo queniano registou também o desaparecimento de 10.581 crianças ao longo dos últimos 16 meses, incluindo 1.952 raptos e 173 casos por tráfico.

Vestidos com ‘t-shirts’ brancas e empunhando cartazes com as frases “Fim aos feminicídios e aos pedicídios” – assassínios de crianças – os manifestantes, na maioria mulheres, paralisaram o centro de Nairobi com cânticos e gritos de dor, bloqueando uma avenida com um grande painel que exibia os nomes de mais de 500 vítimas.

“É traumatizante, não sei se serei a próxima”, disse à agência France-Presse (AFP) a ativista Racheal Mwikali.

Julie Ochieng mostrou o obituário da filha, Kristabel Anyango, explicando que foi morta aos 28 anos quando tentava terminar uma relação tóxica.

“Se estão cansados delas, simplesmente deixem-nas ir. Parem de matar as mulheres”, apelou.

O termo feminicídio é utilizado para designar o assassínio de mulheres e raparigas devido ao seu género, mas não é reconhecido como um crime autónomo pela lei queniana.

Por isso, ativistas presentes na marcha afirmaram que a lacuna contribui para que alguns casos não sejam documentados e para que outros “se arrastem no sistema judicial”.

A organização não-governamental de direitos humanos Amnistia Internacional qualificou a situação como uma “crise de segurança nacional”, afirmando que “cada resposta tardia custa vidas”.

O ano de 2024 foi o pior de que há registo no Quénia, com uma média de 14 mulheres mortas a cada mês, segundo a Odipo Dev e a Africa Uncensored.

O Presidente, William Ruto, criou um grupo de trabalho sobre a matéria no ano passado. Contudo, nenhuma outra medida foi tomada, de acordo com as ativistas.

 

NYC // JMC

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