
Quito, 13 out 2025 (Lusa) — Centenas de pessoas participaram em marchas na capital do Equador contra o Presidente Daniel Noboa, que foram dispersas pela polÃcia, enquanto os militares impediam que manifestantes de outras partes do paÃs entrassem em Quito.
Desde 22 de setembro que Noboa enfrenta protestos e bloqueios de estradas em várias provÃncias, em resposta à remoção do subsÃdio ao gasóleo, que aumentou o preço de 1,80 dólares (1,54 euros) para 2,80 dólares (2,40 euros) por 3,8 litros.
Domingo, o 21.º dia de protestos convocados pela Confederação das Nacionalidades IndÃgenas (CONAIE), foi marcado pela concentração de manifestantes em cinco locais de Quito, enquanto a provÃncia andina de Imbabura, epicentro das mobilizações e bloqueios, permaneceu paralisada.
Utilizando gás lacrimogéneo, a polÃcia dispersou os manifestantes que avançavam gritando palavras de ordem contra o Governo e transportando cartazes que diziam “Não somos terroristas”.
Na quarta-feira, o ministro da Defesa equatoriano, Guan Carlo Loffredo, acusou manifestantes indÃgenas de tentarem, no dia anterior, assassinar Daniel Noboa, cujo veÃculo foi atacado durante uma manifestação antigovernamental.
Marlon Vargas, presidente da CONAIE, a maior organização social do Equador, afirmou que o Governo “impediu a concentração e impediu o avanço da marcha pacÃfica de setores sociais e cidadãos em Quito”.
“A mobilização militar e policial agiu com violência desde o inÃcio”, afirmou Vargas, acrescentando que “esta ação reflete uma polÃtica bélica que nega o diálogo e criminaliza o protesto”.
Além da manutenção do subsÃdio ao gasóleo, a CONAIE exige também uma redução de três pontos percentuais no imposto sobre o valor acrescentado (IVA), para 12%, melhorias na saúde e na educação.
A organização rejeitou também a realização do referendo de 16 de novembro, no qual — por iniciativa de Noboa — será questionada a possibilidade de estabelecer uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Constituição.
Após sobrevoar Quito, o ministro do Interior, John Reimberg, acusou os manifestantes de lançarem “fogo de artifÃcio” contra o helicóptero em que seguia, obrigando a polÃcia a intervir.
Reimberg lembrou que na semana passada Marlon Vargas ameaçou marchar para a capital.
“Os controlos que estabelecemos impedirão que isso aconteça, porque não permitiremos que a paz na capital seja perturbada”, garantiu o ministro.
Os protestos causaram a morte de um indÃgena, 150 feridos, entre manifestantes e agentes da polÃcia, assim como cerca de 100 detenções, segundo dados oficiais e de organizações de defesa dos direitos humanos.
Na terça-feira passada o Governo disse nas redes sociais que todos os detidos serão acusados de terrorismo e tentativa de homicÃdio.
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