
Abrantes, Santarém, 07 fev 2026 (Lusa) – Os caudais do rio Tejo registaram uma descida desde a noite passada e mantiveram-se estáveis nas últimas 12 horas, embora continuem elevados, enquanto mais de uma centena de vias permanecem condicionadas em 15 concelhos do distrito de Santarém.
“Os dados mais recentes confirmam que os caudais estão estabilizados, depois da descida verificada durante a noite de ontem [sexta-feira], mas continuamos muito atentos à chuva persistente, que pode voltar a provocar oscilações rápidas nas ribeiras, linhas de água e nas estradas”, disse à Lusa o presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil de Santarém e da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos.
De acordo com os dados hidrométricos, às 18:00 de hoje a estação de Almourol registava 7 mil metros cúbicos por segundo (m3/s), valor muito próximo do observado ao longo de todo o dia, evidenciando a manutenção da estabilidade dos caudais, com ligeiras oscilações.
“Às 18:00, o acumulado em Almourol era na ordem dos 7 mil m3/s, que era aquilo que também tinha sensivelmente por volta das 10 da manhã. Isto corresponde a dizer que, ao longo de todo o dia, das 10 até agora às 18, o acumulado em Almourol tem-se mantido constante”, explicou Manuel Jorge Valamatos.
Os valores registados em Almourol, em Vila Nova da Barquinha, resultam das descargas efetuadas a montante nas barragens do Fratel, Pracana e Castelo de Bode.
Às 14:00, Almourol marcava 6.933 m³/s e, às 10:00, 7.016 m³/s, confirmando que, nas últimas horas, o caudal do Tejo se manteve praticamente constante naquele ponto de medição e que serve de referência para a bacia do Tejo.
Para comparação, às 10:00 de sexta-feira, a estação de Almourol registava 7.783 m³/s, depois de na quinta-feira, ao final da tarde, os valores terem ultrapassado os 8.600 m³/s, dia em que os caudais mais do que duplicaram face aos cerca de 3.500 m³/s medidos durante a madrugada, situação que motivou a ativação do alerta vermelho.
Questionado sobre as previsões para as próximas horas e para o dia de domingo, o responsável disse que a expectativa é de “menos chuva” e “maior estabilidade”, alertando para a necessidade de atenção constante.
“Com a previsibilidade de agora termos menos chuva, é natural que possamos ter aqui uma situação de maior estabilidade e, obviamente, que temos de ter sempre este sentido de alerta, estarmos atentos às informações das estruturas de proteção civil, mas julgamos que, se o tempo melhorar, teremos boas condições para o regresso à normalidade nas próximas horas”, disse Valamatos, que apontou para a volatilidade da situação em termos de circulação rodoviária.
“Algumas estradas já estiveram desobstruídas, mas tendem a poder ficar novamente obstruídas. É uma situação que evolui consoante os efeitos da chuva no Tejo e afluentes, mas também devido a aluimentos e derrocadas. É fundamental que as pessoas se mantenham informadas junto da proteção civil”, sublinhou.
Segundo a Proteção Civil de Lisboa e Vale do Tejo, mais de uma centena de vias continuam afetadas por submersões ou condicionamentos intermitentes em 15 concelhos: Santarém, Cartaxo, Golegã, Benavente, Almeirim, Chamusca, Alpiarça, Abrantes, Constância, Torres Novas, Sardoal, Tomar, Alcanena, Entroncamento e Salvaterra de Magos.
As autoridades alertam para a necessidade de redobrada atenção na condução, proteção de bens e animais, evitar travessias de vias alagadas e seguir rigorosamente as informações oficiais da proteção civil e nos ‘sites’ dos municípios.
O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo mantém-se em alerta vermelho, ativado na quinta-feira face ao agravamento dos caudais e risco extremo de inundações, segundo a Proteção Civil.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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