
Porto, 08 dez 2025 (Lusa) – A candidata presidencial Catarina Martins considerou hoje que “não há nenhum sucesso” numa economia quando “quem trabalha não consegue pagar a casa, a farmácia e o supermercado”, acusando o Governo de estar deslumbrado com a distinção da revista Economist.
“A polÃtica tem que ser sobre a vida séria das pessoas e o que é preciso dizer é que não há nenhum sucesso na Economia quando quem trabalha não consegue pagar a casa, a conta da farmácia ou a fatura do supermercado”, afirmou a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, a discursar na apresentação de António Pinho Vargas como o seu mandatário nacional nas eleições presidenciais de janeiro.
A revista britânica “The Economist” considerou que Portugal é a “economia do ano” em 2025, destronando a Espanha, que tinha ganhado no ano passado, e caiu para a quarta posição.
“É preciso ver porque é que acharam que Portugal era economia do ano. Há alguns argumentos que eu acho que são insólitos. Um dos argumentos é o mercado de ações [que] está em alta. Eu tenho a certeza neste paÃs que pensou que se o mercado de ações está em alta, então isto vai de vento em poupa”, apontou.
E continuou: “O outro argumento é que há muitos estrangeiros ricos que estão a gostar de se mudar para Portugal porque cá pagam poucos impostos. E as pessoas pensam que se os estrangeiros ricos estão felizes, então isto vai de vento em poupa”, explanou.
Para a ex-coordenadora do BE “o que é preciso dizer é que a qualidade da Economia mede-se na qualidade dos salários, das pensões, na qualidade dos serviços públicos e mede-se na qualidade do emprego”.
Catarina Martins deixou ainda uma crÃtica ao Governo de Luis Montenegro: “Quando temos um Governo que fica deslumbrado com o sucesso da economia do ano para o estrangeiro rico que paga poucos impostos ou para o mercado das ações que está em alta, é mesmo o momento em que precisamos de uma Presidente da República que diga que o sucesso da economia só se mede se quem ganha o seu salário, se quem ganha a sua pensão, conseguir pagar a casa, a farmácia e o supermercado”, afirmou.
A também eurodeputada lembrou a greve geral marcada para quinta-feira e uma segunda greve da Função Pública, na sexta-feira: “uma greve geral é uma coisa muito séria, que não há desde 2013. Não é algo que as centrais sindicais marquem de ânimo leve e muito menos que trabalhadores façam de ânimo leve”.
Sobre a campanha eleitoral em curso, Catarina Martins deixou crÃticas aos adversários e uma sugestão: “Há o campeonato de ver quem é o mais moderado, de quem diz maior alarvidade para chamar a atenção, eu proponho uma outra fórmula: façamos desta campanha uma luta por um paÃs decente”, disse.
Quanto ao seu mandatário, a candidata a Belém salientou a relação de amizade que une os dois com António Pinho Vargas a explicar o porquê de ter aceite o convite de ser mandatário de Catarina Martins: “Eu aceitei o convite porque há momentos em que temos que sair do comodismo do sofá” disse.
Para o músico, que realçou que para si seria “mais fácil” estar a tocar piano, Catarina Marftins “tem a grande vantagem de não ter receio de defender ideias de esquerda” e trouxe temas únicos para o debate polÃtico: “Foi a primeira vez que ouvi em qualquer eleição, em qualquer debate presidencial, autárquico ou legislativo, alguém falar da arte e da cultura, ainda por cima com André ventura”; disse, lembrando o debate entre Catarina Martins e o candidato apoiado pelo Chega.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.
Além de Catarina Martins, à s eleições presidenciais anunciaram, entre outros, as suas candidaturas André Ventura (com o apoio do Chega, Cotrim Figueiredo (com o apoio da IL), António José Seguro (apoiado pelo PS), António Filipe (apoiada pelo PCP), Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), LuÃs Marques Mendes (com o apoio do PSD) e Henrique Gouveia e Melo.
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