
Cascais, Lisboa, 11 mai 2021 (Lusa) — A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) defendeu hoje que as autoridades locais devem identificar os cuidadores informais em cada território do paÃs e indicou que esse é um tema que o partido abordará nas eleições autárquicas.
Catarina Martins discursou esta tarde no comÃcio de apresentação dos cabeças de lista à Câmara e à Assembleia Municipal de Cascais e referiu notÃcias publicadas hoje que dão conta de que “pouco mais de dois mil cuidadores informais tiveram acesso aos apoios a que o estatuto dos cuidadores informais deveria dar acesso”.
“Não há programa para cuidadores informais em todo o território, vamos criá-lo também nestas autárquicas”, afirmou a bloquista, defendendo que “é uma obrigação do poder local não achar que há inevitabilidades em que há pessoas que nunca existem e que nunca têm resposta”.
Na ótica de Catarina Martins, “se esse é um dever que se faz em todas as instâncias, que melhor do que o poder local” para fazer “essa reivindicação de que a polÃtica também cuida e de que a saÃda para a crise é também o cuidado”.
“Vamos exigir que em todas as freguesias e em todos os concelhos se saiba quem precisa de apoio, quem cuida, cuidar de quem cuida”, adiantou.
A coordenadora do BE referiu também que, quando se diz que “também na polÃtica local é preciso perceber” o que se quer depois da crise, os cuidadores informais estão incluÃdos, sendo necessário “não deixar que sejam invisÃveis, não deixar fechados nas casas quem sofre tanto todos os dias e que, com a pandemia, ficou ainda mais isolado”.
Questionando se “será difÃcil fazer este caminho”, Catarina Martins deu a resposta: “DifÃcil é ignorar, difÃcil, impossÃvel, inaceitável é ignorar, ignorar quem está mais vulnerável, ignorar quem sofre mais, ignorar o dever que temos de cuidar uns dos outros”.
A lÃder do BE destacou igualmente que as estimativas dão conta de que “um milhão e 400 mil pessoas em Portugal tenham responsabilidades de cuidar informalmente de outras que delas dependam” e dessas, “mais de 200 mil farão isso a tempo inteiro”.
De seguida, lamentou que “a estas pessoas não está a ser dado nenhum direito”, ainda que a pandemia tenha tornado a situação “ainda mais flagrante”, com o fecho de escolas, equipamentos sociais ou centros de dia, e criticou quem alega que a resposta “é um problema financeiro para o paÃs”.
“E ao mesmo tempo vemos o desfilar de milhões todos os dias para o sistema financeiro e ouvimos as audições dos grandes devedores da banca, que nunca se lembram, que nunca sabem o que estavam a fazer, que não têm bem ideia do que devem”, criticou, numa referência à Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar à s perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.
E contrapôs que “os cuidadores e as cuidadoras informais em Portugal nunca se esquecem, trabalham 24 horas por dia, sete dias por semana, nunca se esquecem das suas obrigações” e “estão lá sempre quando alguém que depende deles precisa”.
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