
Lisboa, 15 set 2019 (Lusa) — A coordenadora do BE, Catarina Martins, considera que o programa do PS é ambÃguo e com números mal explicados, avisando que as contas socialistas não chegam para a atualização salarial à taxa de inflação prometida para os funcionários públicos.
Em entrevista à agência Lusa, Catarina Martins reitera as crÃticas que tem feito ao programa eleitoral do partido liderado por António Costa naquilo que diz respeito à s “contas certas” que considera não serem apresentadas pelo PS.
“Para nós, o tema das contas certas tem esta dupla dimensão. Por um lado, acertarmos contas com os défices que o paÃs tem, todos eles, reais, da saúde, das pensões, dos salários, do que é preciso fazer e, por outro lado, também chamarmos à atenção para que, quando um programa promete medidas e as suas contas não batem certo, quer dizer que não vai fazer o que lá está, vai fazer outra coisa qualquer”, sustenta.
Em relação à atualização dos salários da função pública que o PS promete fazer à taxa de inflação, na perspetiva da lÃder do BE, se os socialistas apresentam “uma conta que não chega, quer dizer que, em vez de aumentos à inflação, vai ter cortes”.
“Nós achamos que estamos a ver quais são os cortes, mas era bom que o PS falasse ao paÃs sobre isso”, desafia.
Segundo a lÃder bloquista, os números do programa socialista só apareceram depois do debate televisivo que teve com secretário-geral, António Costa, uma vez que antes desse frente-a-frente “o PS nem números apresentava, remetia só para o Programa de Estabilidade”.
“Existe uma ambiguidade neste programa do PS, nestes números mal explicados, que não existiu há quatro anos”, critica.
Para justificar a incongruência do PS, Catarina Martins explica que “atualizar os salários da função pública ao nÃvel da inflação custa 345 milhões de euros” e depois os socialistas orçamentam “95 milhões de euros”.
“Nós percebemos que, em vez de atualização, estamos a falar, seguramente, de cortes”, insiste.
Segundo a lÃder bloquista, este é o mesmo PS que diz querer “rever as carreiras especiais, o que significa que muito provavelmente enfermeiros, médicos, professores, polÃcias oficiais de justiça estão preparadas más notÃcias”, alerta.
Sobre o “outro lado” das contas certas, na visão da cabeça de lista do BE pelo cÃrculo do Porto, “quando faltam milhões [de euros] em hospitais, não há contas certas, mesmo que depois o que vá para Bruxelas seja muito bonito”.
“As pessoas entendem bem quando falta tudo no Serviço Nacional de Saúde, percebem que essa não é uma conta certa. As pessoas entendem quando estão a pagar das faturas da energia mais caras da Europa que isso não é uma conta certa e, portanto, fazermos de conta que está tudo bem, porque há um itenzinho para Bruxelas que fica muito bonito, é brincar com a vida das pessoas”, defende.
O Bloco quando discute contas certas, contrasta Catarina Martins, quer debater a forma como se olha “para o paÃs, para as suas possibilidades, para o seu investimento”, ou seja, das escolhas polÃticas que é preciso fazer.
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