
Caracas, 07 nov 2019 (Lusa) – A organização não-governamental (ONG) Programa Venezuelano de Educação e Ação em Direitos Humanos (PROVEA) denunciou hoje que os casos de tortura aumentaram durante os primeiros nove meses de 2019, com relação ao ano anterior.
“Nos primeiros nove meses do ano, foram denunciados 34 casos de tortura, e registaram-se 554 vÃtimas individualizadas desse crime contra os direitos humanos (…) A maioria são homens jovens e pobres”, lê-se no relatório da PROVEA.
O número registado – de janeiro a setembro deste ano -, representa um aumento de 508,25% no número de vÃtimas contadas, em comparação aos 12 meses do ano de 2018, quando foram registados 109 casos de pessoas torturadas, acrescenta a PROVEA.
Segundo aquela ONG, trata-se do “valor mais alto documentado” em 31 anos de monitoramento.
“A maioria das pessoas torturadas (98,55%) eram homens, jovens e pobres. A idade das vÃtimas varia entre os 18 e os 50 anos”, acrescenta-se no documento.
“Do total de vÃtimas registadas pela PROVEA entre janeiro e setembro, 408 (73,64%) estavam detidas pela prática de crimes comuns; 124 (22,38%) eram militares detidos e acusados de conspirar contra [o Presidente] Nicolás Maduro, e outras 22 pessoas (3,97%) eram civis detidos por razões polÃticas ou no exercÃcio do direito à manifestação pacÃfica”, lê-se no relatório.
Segundo a PROVEA nos primeiros nove meses de 2019, 21 pessoas “morreram como resultado de torturas das forças de segurança. Dezanove das mortes registadas ocorreram em Centros de Detenção Preventiva, sob o controlo da PolÃcia Nacional Bolivariana (PNB), do Corpo de Investigações CientÃficas, Penais e CriminalÃsticas (CICPC, antiga PolÃcia Técnica Judiciária) e de polÃcias regionais”.
O Estado venezuelano de Carabobo é o que regista o maior número de vÃtimas, com 201 pessoas torturadas (36,28%).
Em segundo lugar está o Estado de Miranda, com 181 vÃtimas (32,67%).
Anzoátegui ocupa o terceiro lugar, com 101 vÃtimas (18,23%).
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