
Lisboa, 24 jul (Lusa) — Impressão 3D, modelação, maquinação, robótica ou microeletrónica são algumas das áreas de trabalho do novo laboratório da Casa Pia, o concretizar de um sonho dentro do novo projeto educativo e que estará em pleno funcionamento em setembro.
O novo laboratório foi inaugurado a 02 de julho e chama-se Fab CP, em que Fab está para a palavra inglesa ‘Fabrication’ e CP para Casa Pia, mas o objetivo é poder vir a ser um Fab Lab, ou seja, um ‘Fabrication Laboratory’, que na prática se traduz num laboratório de fabricação onde se tem acesso à s mais variadas tecnologias.
“Pretendemos fazer parte da rede Fab Lab, mas ainda estamos a trabalhar no processo de candidatura”, explicou o diretor executivo do Centro de Educação e Desenvolvimento de Pina Manique, onde está instalado o Fab CP, acrescentando que se está a tratar disso ao mesmo tempo que se trabalha a vertente académica.
Renato Florentino adiantou que naquele espaço, que abrange dois andares, as áreas de trabalho vão desde a impressão 3D, impressão de grandes formatos, modelação 3D, espaço oficina para trabalhar as peças criadas, espaço para maquinação, uma zona dedicada à robótica ou à microeletrónica e um espaço de audiovisuais para ajudar a dar visibilidade aos projetos.
O Fab CP, apesar de ser um projeto da Casa Pia, não se fica entre as quatro paredes da instituição e não só pretende ser o espaço de criatividade de todos os alunos casapianos, como está de portas abertas a todas as pessoas que tenham uma ideia e precisem dos recursos para a por em prática.
Além disso, tem ainda uma caracterÃstica que “não é muito vulgar”, já que está preparado para trabalhar com crianças de todas as idades.
“Grosso modo, da primária para a frente, em qualquer nÃvel escolar. Temos possibilidade, temos capacidade, temos ‘know-how’, temos professores capazes de trabalhar em qualquer idade, qualquer escalão etário, qualquer escalão pedagógico”, sublinhou Renato Florentino.
Um dos projetos atualmente a ser desenvolvido no Fab CP vai apoiar os alunos surdo-cegos da instituição que precisam de algo que facilite a aprendizagem de braille através do toque, mas sem a preocupação que, ao manusear, a peça possa cair ao chão.
Surgiu então a ideia de criar uma célula, mais ou menos com a dimensão de um telemóvel atual, com seis circunferências recortadas onde encaixam seis peças redondas, e que vai fazer a relação entre uma letra e o código braille.
“Em princÃpio, esta célula, por baixo do plástico, terá uma chapa de material ferroso. As peças vão levar um Ãman e ao colocarem-se aqui, o Ãman é atraÃdo à chapa metálica e quando a célula se vira já não há o problema de as peças caÃrem”, explicou o professor João Brasileiro, sublinhando que ainda estão a estudar o que será ergonomicamente mais adequado.
Na parte da robótica, Ricardo Lourenço, aluno do 8.ºano, testa o robô que desenvolveu para uma competição de obstáculos. Conta que sempre gostou de tecnologia e que é isso que quer seguir no futuro.
“Quero construir robots para ajudarem as pessoas, para irem para as fábricas, para substituÃrem muitas coisas que nós fazemos e que pode ser feito por um robot que está à nossa disposição”, justificou.
À Lusa, a diretora da Casa Pia de Lisboa explicou que o Fab CP é resultado do novo programa pedagógico que a instituição está a implementar desde há três anos, com “um modelo muito centrado no desenvolvimento de projetos, que tenta centrar a aprendizagem no aluno”, libertando-os do modelo de sala de aula tradicional.
No âmbito desse novo programa pedagógico foram construÃdos diferentes estúdios, nos vários colégios, cada estúdio dedicado a uma área, desde a informática, lÃnguas ou artes, que serve tanto os alunos do ensino regular, como os dos cursos de educação e informação ou os cursos profissionais.
Este novo modelo de aprendizagem está já implementado em 86 das cerca de 180 turmas, mas Maria Cristina Fangueiro espera que no ano letivo 2021/2022 ele esteja plenamente a funcionar em todas as turmas.
“O Fab é o concretizar de um sonho e vem dar uma projeção maior porque é um espaço que permite fazer coisas que não se podem fazer nos estúdios”, sublinhou.
De acordo com a responsável, o objetivo é preparar as crianças com as competências necessárias para o seu futuro, colocando a Casa Pia “na vanguarda da educação e da formação profissional no século XXI”.
O Fab CP custou, para já, cerca de 200 mil euros e vai estar plenamente operacional a partir de setembro, tendo capacidade para receber entre 30 a 40 pessoas, apoiadas por uma equipa de 10 professores.
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