
O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, rejeita as acusações da administração de Donald Trump de que o Canadá está a tentar influenciar a política interna dos Estados Unidos, numa altura em que se aproximam as eleições intercalares de novembro.
Numa conferência de imprensa em Istambul, na Turquia, Carney afirmou que as acusações não têm fundamento e mostrou-se desapontado com as declarações do embaixador norte-americano no Canadá, Pete Hoekstra. No início deste mês, o diplomata avisou os políticos canadianos para não se envolverem na política dos Estados Unidos.
Na quarta-feira, dia 21 de outubro, a embaixada norte-americana divulgou uma lista de declarações de políticos canadianos que, segundo Washington, revelariam intenções de influenciar o processo político americano. Entre os exemplos estão comentários da ministra da Indústria, Mélanie Joly, sobre a pressão exercida sobre empresas e estados norte-americanos, no âmbito da resposta canadiana às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Carney afirma que os diplomatas canadianos já tinham recebido instruções para evitarem encontros ou eventos com candidatos às eleições americanas, de forma a prevenir acusações sem fundamento. Garante ainda que o Canadá tem o cuidado de não dar a entender que interfere nos assuntos internos do país vizinho.
As tensões entre Ottawa e Washington agravaram-se em agosto, após o fracasso das negociações comerciais, seguido da imposição de novas tarifas sobre milhares de milhões de dólares em mercadorias que atravessam a fronteira.
O primeiro-ministro garante que o Canadá continua disponível para negociar, mas não tem pressa em chegar a um acordo. Admite que as conversações possam prolongar-se por vários meses ou até ficar para uma futura administração americana.
Questionado sobre a possibilidade de um entendimento antes das eleições, Carney respondeu que a decisão cabe aos Estados Unidos.



