
Lisboa, 29 abr 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS desafiou hoje o primeiro-ministro a adotar transitoriamente o IVA zero para o cabaz alimentar dos bens essenciais, tendo Luís Montenegro acusado José Luís Carneiro de querer “ser o mais chegano dos deputados socialistas”.
No debate quinzenal de hoje, José Luís Carneiro insistiu nas medidas que considera urgentes adotar para responder às dificuldades que os portugueses estão a enfrentar devido ao aumento do custo de vida, referindo que desde o início do ano os portugueses estão a pagar mais 19 euros pelo cabaz alimentar, além dos aumentos nos impostos.
“Senhor primeiro-ministro está ou não disponível para que, mesmo transitoriamente, possamos adotar o IVA zero sobre o cabaz dos bens essenciais à vida das famílias porque do que estamos a falar, senhor primeiro-ministro, é de cerca de 45 euros a mais com o custo dos bens alimentares”, desafiou o socialista.
Na resposta, Luís Montenegro retomou o que tinha dito ao presidente do Chega, André Ventura, sobre a resposta ao aumento do custo de vida quando o acusou de ser o “mais socialista dos deputados cheganos”.
“E o senhor deputado quer ser o mais chegano dos deputados socialistas”, atirou.
O primeiro-ministro fez uma colagem entre as propostas do PS e do Chega para os impactos da guerra, referido que ambos defendem o IVA zero no cabaz alimentar, na redução do IVA na energia, eletricidade e gás e nos impostos sobre os combustíveis.
“Pois eu quero dizer-lhe, senhor deputado como também já disse à bancada anterior, que a nossa visão é um pouco distinta. Vou ser justo e considerar que temos a mesma sensibilidade perante as dificuldades que as pessoas e as empresas sentem. Podemos é ter visões diferentes sobre como colaborar para que elas possam ultrapassar essa situação”, distanciou-se.
Concretamente sobre as críticas relativas aos impostos dos combustíveis, Montenegro considerou que o líder do PS não foi sério.
“Isso não lhe fica bem, senhor deputado. Isso não lhe fica bem e o senhor deputado devia corrigir essa sua visão”, condenou.
No início da sua intervenção, Carneiro referiu que quando se esperava que “o Governo fosse sensível a este problema que afeta milhões de pessoas todos os dias”, nas últimas duas semanas, o executivo “decidiu aumentar 2,3 cêntimos por cada litro de gasóleo.
“Ou seja, esperava-se que o Governo contribuísse para baixar os impostos sobre os combustíveis, o Governo está a aumentar os impostos sobre os combustíveis”, referindo-se à redução do desconto extraordinário do ISP no gasóleo.
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