
Lisboa, 02 set 2024 (Lusa) — O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), apelou hoje à solidariedade do autarca de Santa Maria Maior para aceitar a construção na freguesia de um Hotel Social para pessoas em situação de sem-abrigo.
“Ainda não falei com o senhor presidente da junta, mas é muito importante a solidariedade entre todos. A solidariedade da cidade de Lisboa não só em relação à habitação mas também à s pessoas em situação de sem-abrigo. É preciso não ter só o acolhimento tradicional, mas também este como o Hotel Social”, afirmou o autarca social-democrata.
Carlos Moedas, que falava esta tarde aos jornalistas no final de uma cerimónia de entrega de habitações municipais, reagia desta forma à oposição pública do presidente da Junta de Santa Maria Maior, Miguel Coelho (PS), à construção de um Hotel Social para pessoas em situação de sem-abrigo naquela freguesia.
O projeto visa o alojamento urgente e temporário de pessoas em situação de especial vulnerabilidade e foi aprovado por unanimidade em 10 de julho pelo executivo municipal — os proponentes PSD e CDS, PS, Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre), PCP, Livre e BE.
A implementação do Hotel Social passa pela reabilitação de dois imóveis contÃguos de propriedade municipal na Rua das Olarias (números 41 e 43), num investimento de dois milhões de euros até 2026, que “permitirá uma ocupação máxima de 29 utentes (nove quartos individuais, quatro quartos duplos e quatro quartos triplos)”.
Haverá ainda “um conjunto de serviços de apoio”, como cozinha industrial, lavandaria e espaços dedicados a serviços.
Apesar de a proposta já ter sido viabilizada, o autarca de Santa Maria Maior quer que os imóveis sejam canalizados para habitação a preços acessÃveis e já promoveu um abaixo-assinado para contestar o projeto.
“O centro histórico já está sobrecarregado de problemas. Não se pode trazer para aqui mais uma situação que vai ser disfuncional em relação à s pessoas que aqui vivem”, afirmou Miguel Coelho, em declarações à agência Lusa.
Contudo, Carlos Moedas sublinha que “o valor da solidariedade deverá prevalecer”, manifestando otimismo em relação à implementação do projeto.
“Nós trabalhamos sempre com as juntas. Eu sei que é preciso trabalhar pelo lado da solidariedade. Tudo acaba por correr bem quando se convive lado a lado”, atestou.
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