
Praia, 20 out 2023 (Lusa) — O processo de candidatura dos escritos de AmÃlcar Cabral ao programa Memória do Mundo da UNESCO deverá ser formalizado em novembro, disse hoje o presidente da fundação do lÃder das independências da Guiné-Bissau e Cabo Verde.
Em declarações a jornalistas à margem do XI Encontro de Escritores de LÃngua Portuguesa, na cidade da Praia, capital de Cabo Verde, Pedro Pires referiu que a Fundação AmÃlcar Cabral “tem estado a trabalhar nesse assunto” com a “participação indispensável” do Governo de Cabo Verde.
Segundo o ex-presidente cabo-verdiano, o processo está a ser preparado também em conjunto com a Comissão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em Cabo Verde.
“Temos estado a fazer esse trabalho. Nós fazemos a nossa parte e eles fazem a parte deles. E, em princÃpio, os documentos estarão prontos para a sua entrega agora no mês de novembro”, detalhou.Â
Durante a sua intervenção no segundo dia do encontro de escritores, sobre o “Centenário e legado de AmÃlcar Cabral”, o ex-chefe de Estado referiu que a preservação dos documentos do lÃder histórico dos dois paÃses “ficaria garantida” com esta classificação por parte da UNESCO.
Pedro Pires disse ainda que a fundação vai pedir à quela organização da ONU para apadrinhar as comemorações do centenário do nascimento de AmÃlcar Cabral, que se assinala em 2024, para “levar o mais longe possÃvel esta celebração”.
Em março de 2002, o ministro da Cultura cabo-verdiano, Abraão Vicente, anunciou que o seu ministério iria assumir a responsabilidade institucional e os custos da candidatura dos escritos de AmÃlcar Cabral ao programa “Memória do Mundo” da UNESCO.
Pedro Pires congratulou-se também com o facto de o Governo da Guiné-Bissau se estar a associar à s celebrações do centenário, saudando a “coincidência feliz” de a ministra da Cultura daquele paÃs, Indira Cabral, ser filha de AmÃlcar Cabral, o que permitiu “o desbloqueio dos contactos” com as autoridades guineenses.
“Há uma coincidência feliz de termos como interlocutora a filha de AmÃlcar Cabral. Acho que isso é uma contribuição enorme […] e é uma garantia enorme também”, disse, referindo que até há pouco tempo não havia retorno por parte da Guiné-Bissau à s propostas da fundação para uma parceria nas comemorações do centenário.
Além da candidatura dos escritos de Cabral ao programa Memória do Mundo, a fundação está a trabalhar nas comemorações do centenário do nascimento do seu patrono, cujo ponto alto vai ser em 12 de setembro de 2024.
A fundação, que tem como missão a preservação da obra e memória do seu patrono, criou em 2015 o espaço museológico Sala-Museu AmÃlcar Cabral, onde pretende dar a conhecer à s gerações mais novas e aos turistas que visitam a cidade da Praia a história da luta de libertação liderada por Cabral.
Fundador do então Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que em Cabo Verde deu lugar ao Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), e lÃder dos movimentos independentistas nos dois paÃses, Cabral foi assassinado em 20 de janeiro de 1973, em Conacri.
Questionado sobre qual é o grande legado de AmÃlcar Cabral, Pedro Pires foi perentório: “É a teimosia”.
“É teimosia, a persistência e a confiança e não é bem fé, mas qualquer coisa desse género. Se não fosse isso, eu não estaria cá”, disse.
Nos XI Encontros de Escritores de LÃngua Portuguesa, organizados pela União das Cidades Capitais de LÃngua Portuguesa (UCCLA), foi feita uma homenagem a AmÃlcar Cabral, com debates sobre o seu legado.Â
A UCCLA organiza os encontros juntamente com a Câmara Municipal da Praia, com o apoio da Academia Cabo-verdiana de Letras e da Sociedade Cabo-Verdiana de Autores e da SPA – Sociedade Portuguesa de Autores e o encerramento de hoje conta com a presença do Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves.
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*** A Lusa viajou para a Praia a convite da UCCLA ***
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VM (RIPE) // ANP
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