
Paris, 17 jan 2022 (Lusa) — O candidato da extrema-direita à s eleições presidenciais francesas Éric Zemmour foi hoje condenado em Paris a uma multa de 10.000 euros por incitação ao ódio, pelas suas afirmações sobre migrantes menores desacompanhados.
Ausente da leitura da sentença, como do julgamento, em novembro, o candidato presidencial, caracterizado como um “habitué” das ações judiciais, foi julgado pelo tribunal criminal por ter qualificado os migrantes menores desacompanhados como “ladrões”, “assassinos” e “violadores” na televisão.
Aquele a quem as mais recentes sondagens atribuem o quarto lugar na primeira volta das presidenciais em abril (com cerca de 13% dos votos) criticou esta condenação, classificando-a como “ideológica e estúpida”, e vai recorrer da sentença, anunciou o seu advogado, Olivier Pardo.
“Primeiro, porque na maioria das vezes, ganhamos os recursos”, justificou Pardo, e depois porque o tribunal criminal de Paris “distorceu a acusação” ao considerar que as afirmações de Zemmour “atentavam contra os imigrantes”, quando elas visavam os migrantes menores desacompanhados.
As polémicas declarações de Éric Zemmour, de 63 anos, valeram-lhe na última década cerca de 15 processos judiciais por insulto racial, incitação ao ódio e acusação de crime contra a humanidade.
Várias vezes absolvido, foi condenado duas vezes por incitação ao ódio.
Desta vez, foi processado por afirmações proferidas a 29 de setembro de 2020, durante um debate no programa “Face à l’info”, no canal televisivo CNews, após um ataque em frente à s antigas instalações do jornal satÃrico Charlie Hebdo.
“Eles não têm nada que estar aqui, são ladrões, são assassinos, são violadores, é tudo o que são, é preciso deportá-los e era mesmo melhor que não viessem”, sustentou, sobre migrantes menores desacompanhados.
“Afirmações desprezÃveis, ultrajantes” que mostram “uma rejeição violenta” e “ódio” à população imigrante e que ultrapassaram “os limites da liberdade de expressão”, argumentou a procuradora do ministério público no julgamento em novembro.
“Não há um pingo de racismo em Éric Zemmour”, que apenas diz “a verdade”, à s vezes de “forma brutal, com as suas palavras”, retorquiu o seu advogado, referindo tratar-se de “uma posição polÃtica”.
Tinha pedido a absolvição, considerando que a acusação de incitação ao ódio racial não tinha fundamento, porque “os menores desacompanhados não são nem uma raça, nem uma nação, nem uma etnia”.
O tribunal também condenou o diretor de informação da CNews, julgado juntamente com Éric Zemmour, como é habitual em casos envolvendo a comunicação social, a uma multa de 3.000 euros.
Cerca de 30 associações constituÃram-se como partes civis nesta ação judicial, entre as quais SOS Racismo, Liga dos Direitos Humanos (LDH) e Licra, bem como cerca de 20 organismos governamentais — estando os menores desacompanhados a cargo da Ajuda Social à Infância (ASE).
Arié Alimi, advogado da LDH, saudou à imprensa o que descreveu como “uma decisão importante”.
“Por detrás deste projeto mediático, há um projeto polÃtico: é um projeto de ódio, um projeto que tende a estigmatizar as pessoas em função da sua origem, em função da sua religião, da sua raça”, sublinhou.
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ANC // SCA
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