
Lisboa, 16 jun 2023 (Lusa) — A canábis continua a ser a droga ilÃcita mais consumida na Europa e a cocaÃna o estimulante de maior uso, enquanto os consumos de opiáceos, em decréscimo desde o século passado, parecem estar a aumentar, refere um relatório europeu.
Esta é uma das conclusões do “Relatório Europeu sobre Drogas 2023: Tendências e Evoluções”, do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência (EMCDDA, na sigla em Inglês) hoje lançado em Bruxelas, que sublinha que uma “maior diversidade na oferta e no consumo de drogas criam novos desafios para a Europa”.
Segundo o documento da agência sediada em Lisboa, estima-se que cerca de 8%, o que corresponde 22,6 milhões de europeus adultos (15-64 anos), consumiram canábis no último ano.
De acordo com os dados, em 2021, as quantidades de resina de canábis (816 toneladas) e de canábis herbácea (256 toneladas) apreendidas na UE atingiram o seu nÃvel mais elevado numa década, “o que sugere uma elevada disponibilidade desta droga”.
Na Europa, estima-se que 97.000 consumidores se submeteram, em 2021, a algum tipo de tratamento da toxicodependência por problemas relacionados com o consumo de canábis, enquanto os novos produtos de canábis estão a colocar desafios à saúde pública.
Em 2022, o hexahidrocanabinol (HHC) tornou-se o primeiro canabinóide semi-sintético reportado na UE. Foi identificado em dois terços dos Estados-membros e, em alguns paÃses da União Europeia, é vendido como uma alternativa “legal” à canábis.
O relatório de 2023, que compila dados de 2021 e 2022, dá também conta de apreensões recorde de cocaÃna e preocupação crescente com o consumo de estimulantes sintéticos.
Apreensões recorde de cocaÃna através dos portos marÃtimos europeus e preocupação crescente com o consumo de estimulantes sintéticos são igualmente citadas no relatório.
Em 2021, foi apreendida a quantidade recorde de 303 toneladas de cocaÃna pelos Estados-membros da União Europeia, sendo que a Bélgica (96 toneladas), os PaÃses Baixos (72 toneladas) e a Espanha (49 toneladas) foram responsáveis por quase 75 % da quantidade total.
Os dados preliminares relativos a 2022 mostram que a quantidade de cocaÃna apreendida em Antuérpia, o segundo maior porto marÃtimo da Europa, aumentou de 91 toneladas em 2021 para 110 toneladas.
Os dados disponÃveis sugerem que os grupos de criminalidade organizada visam também e, cada vez mais, portos de menor dimensão de outros paÃses da UE, como Portugal, e de paÃses que fazem fronteira com a UE.
O fabrico ilÃcito de cocaÃna na UE está também a ganhar importância, tendo sido desmantelados 34 laboratórios de cocaÃna em 2021 (23 em 2020), alguns dos quais de grande dimensão.
De acordo com a PolÃcia Judiciária portuguesa, em 2022, números provisórios, foram apreendidas 16,3 toneladas de cocaÃna em território nacional.
A cocaÃna é a droga estimulante ilÃcita mais consumida na Europa, tendo sido consumida por cerca de 1,3% (3,7 milhões) dos adultos europeus (15-64 anos) no último ano, sendo a substância mais comum associada a casos de intoxicação aguda nos serviços de urgência hospitalar em 2021, sendo referenciada em 27 % dos casos.
Há também alguns sinais de que o consumo de cocaÃna injetável e de cocaÃna-crack está a tornar-se mais comum nos grupos marginalizados em alguns paÃses.
O relatório especifica igualmente que “os problemas relacionados com os opiáceos na Europa estão a evoluir”, sendo que “a heroÃna continua a ser o opiáceo ilÃcito mais consumido na Europa”, existindo, contudo, uma preocupação crescente com o consumo de opiáceos sintéticos em algumas áreas.
Muitos opiáceos sintéticos são extremamente potentes e representam um risco de intoxicação e de morte. São necessárias apenas pequenas quantidades para produzir milhares de doses, o que torna estas substâncias muito mais lucrativas para os grupos do crime organizado.
A quantidade de heroÃna apreendida pelos Estados-membros da UE mais do que duplicou em 2021, para 9,5 toneladas, ao passo que a Turquia apreendeu a quantidade recorde de 22,2 toneladas.
Quase toda a heroÃna consumida na Europa provém do Afeganistão, onde os talibãs anunciaram a proibição do cultivo da papoila do ópio em abril de 2022, refere o relatório, acrescentando que, embora seja demasiado cedo para dizer de que forma o mercado europeu de heroÃna será afetado pela proibição, há receios de que qualquer escassez na disponibilidade da droga possa ser associada a um aumento da oferta e da procura de opiáceos sintéticos.
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