
Pemba, Moçambique, 01 mar 2026 (Lusa) – Camponeses de Metoro, sul da província moçambicana de Cabo Delgado, abandonaram os campos agrícolas após avistarem a presença de supostos grupos terroristas, disseram hoje à Lusa fontes da comunidade local.
Segundo as fontes, a situação aconteceu por volta das 06:00 (04:00 de Lisboa) de hoje, após um casal de idosos ter ser interpelado pelos insurgentes naquela zona, no distrito de Ancuabe, enquanto atravessavam a estrada Nacional 1, em direção a norte.
“Encontraram um casal de idosos a ir à machamba (campo agrícola), mas não fizeram mal. Só que na presença deles é sempre de ter medo”, explicou uma fonte local, a partir de Metoro.
A presença deste grupo de insurgentes levou à debandada dos camponeses dos seus campos de produção locais. Os relatos da presença deste grupo rapidamente se espalharam por outras comunidades, que também deixaram os campos agrícolas por receio, como em Silva Macua e Intutupue.
Segundo outra fonte, estes camponeses dizem não pretender regressar tão cedo aos campos agrícolas por recearem novas incursões destes grupos.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há mais de oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A organização ACLED estima que a província moçambicana de Cabo Delgado tenha registado sete eventos violentos nas duas últimas semanas, quatro envolvendo extremistas do Estado Islâmico, com seis mortos, elevando para 6.466 o total de óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 09 a 22 de fevereiro, dos 2.331 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.162 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.466 mortos, refere-se no novo balanço.
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