
Lisboa, 24 dez 2024 (Lusa) — A Câmara Municipal de Lisboa (CML) distribuiu hoje pelas diversas freguesias da cidade 57 contentores para deposição de lixo orgânico e reciclável, uma medida “mitigadora” para atenuar os efeitos da greve marcada pelos sindicatos da higiene urbana.
“Esta é uma medida mitigadora. [Os contentores] Não vão ser suficientes de certeza. A cidade efetivamente vai sofrer o impacto da greve”, disse o diretor da Higiene Urbana da CML, Nuno Vinagre, que falava aos jornalistas na Praça de Londres, onde foi colocado um dos contentores.
Os trabalhadores da higiene urbana em Lisboa, convocaram uma greve geral para 26 e 27 de dezembro, assim como a greve ao trabalho extraordinário, entre o dia de Natal e a véspera de Ano Novo, ou seja, no perÃodo de 25 a 31 de dezembro
Segundo o responsável, trata-se de uma medida “que vai minimizar os impactos, mas não vai resolver”, considerando que foi “uma das soluções arranjadas”, após realizado um plano de contingência.
“Nós definimos os circuitos que têm que ser realizados efetivamente, mercados, hospitais, os hotéis dar apoio à restauração e também arranjamos esta solução para os munÃcipes. Estes 57 pontos de deposição de resÃduos. Temos alguns pontos que é só para recicláveis”, disse, lembrando que no pós-Natal é uma altura “em que existe muito material reciclável”.
Entre os contentores, há também aqueles destinados para o lixo orgânico, tendo sido feita uma “divisão uniforme” pela cidade, mas, nesta fase, segundo Nuno Vinagre, foram reforçadas as zonas residenciais, onde irá haver mais produção de resÃduos.
O responsável deixou um “apelo especial” à população para que, se pudessem, “mantenham os seus resÃduos em casa durante alguns dias para não os colocar na via pública e, no caso extremo, de terem que colocar na via pública, que coloquem os resÃduos ensacados”.
Nuno Vinagre afirmou ainda que a câmara de Lisboa teve a solidariedade dos municÃpios vizinhos, como Cascais, Oeiras, Vila Franca de Xira, a Trata o Lixo e a Valor Sul, que emprestaram contentores para que pudessem ser distribuÃdos pela cidade, tendo também que alugar a algumas empresas e recorrer à reserva de contentores usados na Jornada Mundial da Juventude.
A capacidade dos contentores varia, entre três e seis metros cúbicos, sendo os maiores de 30 metros cúbicos.
“Todos os dias recolhemos 900 toneladas de resÃduos, normalmente no perÃodo tÃpico natalÃcio aumenta. A produção de resÃduos aumenta, mas também sabemos que há muita gente que sai de Lisboa nesta altura”, disse o responsável, lembrando que no dia seguinte ao Natal “há uma redução”, no entanto, com a chegada da passagem de ano “aumenta e aumenta, muito especialmente, o vidro”.
Em relação à data em que será reposta a normalidade, Nuno Vinagre salientou que a expectativa dos serviços é que a “partir do dia 30, dia 31, os serviços consigam recuperar alguma coisa daquilo que é o sistema de gestão de resÃduos, até porque é só greve à s horas extraordinárias”.
Os sindicatos responsáveis pela convocação da greve dos trabalhadores da higiene urbana em Lisboa apresentaram na segunda-feira uma providência cautelar para pedir a anulação dos erviços mÃnimos decretados.
“Vamos contestar junto dos tribunais hoje mesmo. A contestação tem duas vertentes, uma de reclamação e outra com uma providência cautelar. Não sabemos se o tribunal se pronunciará ainda antes do inÃcio da greve”, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do MunicÃpio de Lisboa (STML), Nuno Almeida, à agência Lusa.
A providência cautelar foi apresentada ao Tribunal Administrativo de CÃrculo de Lisboa e pretende “anular” ou “minimizar” a decisão do colégio arbitral da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), que consideram ser “injusta” quanto aos serviços mÃnimos decretados no âmbito da greve dos trabalhadores da higiene urbana em Lisboa, indicou o presidente do STML.
Nuno Almeida referiu que tanto a ação judicial como a providência cautelar são apresentadas pelos dois sindicatos responsáveis pela convocação desta greve, nomeadamente o STML e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL).
Na sexta-feira, o colégio arbitral da DGAEP comunicou a decisão relativa aos serviços mÃnimos decretados para esta greve, determinando a realização de 71 circuitos de recolha de lixo nos dias 26, 27 e 28 de dezembro, envolvendo 167 trabalhadores, entre cantoneiros e condutores de máquinas pesadas e veÃculos especiais, o que, segundo o STML, representa “cerca de 1/3 do trabalho” que se realiza num dia normal.
RCP (SSM) // MSF
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