
Fátima, 19 fev 2026 (Lusa) — A Câmara de Ourém contabiliza mais de 10 mil casas sem telhas e prejuÃzos em equipamentos municipais que podem chegar aos 35 milhões de euros na sequência do mau tempo, disse hoje o presidente da autarquia.
“Temos contabilizadas cerca de 10 mil casas sem telhas, temos contabilizadas cerca de 150 pessoas desalojadas, temos contabilizados prejuÃzos públicos entre os 30 e os 35 milhões de euros”, afirmou aos jornalistas LuÃs Albuquerque, em Fátima, à margem da 13.ª edição dos Workshops Internacionais de Turismo Religioso.
O presidente da Câmara concretizou que os prejuÃzos nas infraestruturas municipais incluem escolas, estradas, piscinas, pavilhões, canil ou o Castelo.
Para recuperar apenas a cobertura do Castelo, o autarca antecipou um custo entre 200 e 250 mil euros.
Segundo LuÃs Albuquerque, ainda estão por conhecer “os prejuÃzos nas empresas que, certamente, serão também de muitos milhões de euros”.
Mais de três semanas volvidas sobre a depressão Kristin atingir este concelho do distrito de Santarém, o presidente do municÃpio adiantou que persistem “estradas que estão intransitáveis, que ruÃram, que aluÃram completamente”, precisando estarem nesta situação meia dúzia de vias.
“É uma situação muito difÃcil ainda a que temos pela frente”, reconheceu o autarca, estimando que, à data de hoje, ainda existam “mil lares sem eletricidade”.
Quanto à s comunicações móveis e fixas, estarão “totalmente ou praticamente todas repostas”, mas, ao nÃvel da Internet, “muito atrasado ainda”.
“Temos de rapidamente recomeçar e começar a pensar como é que vamos recuperar todas estas infraestruturas”, declarou.
Questionado sobre o impacto que o mau tempo possa ter no turismo no concelho, LuÃs Albuquerque salientou que este setor de atividade económica é “muito importante” neste território “em termos de dinamização económica, em termos de emprego”.
“Esta tempestade foi devastadora, mas ressentiu-se mais a norte do nosso concelho”, explicou, convicto de que a zona mais turÃstica, como Fátima e o Castelo de Ourém, “não tendo sido tão afetada como a zona norte”, vai recuperar rapidamente.
De acordo com o presidente do municÃpio, “os operadores turÃsticos já estão no terreno e irão rapidamente recuperar”, garantindo que o municÃpio vai estar preparado “para, mais uma vez, a partir de maio, época mais alta do turismo no concelho, o turismo religioso, receber os milhões de pessoas que, certamente, irão acorrer”.
“É essa a nossa expectativa, é essa a nossa resiliência, é essa a nossa força que já demonstrámos noutras ocasiões e, estou certo, que também agora irá acontecer”, acrescentou LuÃs Albuquerque.
Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.
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