Cahora Bassa lidera cabaz de produção elétrica em Moçambique

Maputo, 18 abr 2023 (Lusa) — A barragem de Cahora Bassa continua a ser responsável pela larga maioria da eletricidade produzida em Moçambique, de acordo com últimos dados do Governo.

De acordo com o mais recente relatório energético, cerca de 80% da energia gerada no país tem origem hídrica, que é quase exclusivamente produzida naquela albufeira.

O restante sai de centrais térmicas e a energia solar vai crescendo, mas tem ainda um valor residual no cabaz de produção — alimentando sobretudo redes autónomas de povoados afastados da rede.

Os dados fazem parte do mais recente relatório estatístico do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (Mireme), que reúne dados de 2020 e 2021, publicado no portal do Instituto Nacional de Estatística (INE) moçambicano.

Situada no rio Zambeze, na província de Tete, centro de Moçambique, a barragem de Cahora Bassa é detida maioritariamente pelo Estado moçambicano e apresenta-se como a maior produtora de energia na África Austral.

No total, a produção de eletricidade em Moçambique, em 2021, atingiu 18,6 milhões de megawatt-hora (MWh), sendo que 60% foi exportada, sobretudo para a África do Sul.

A África do Sul recebe 80% das exportações de eletricidade Moçambique, seguindo-se o Zimbábue (6%) e Essuatini (1%).

Lesoto, Botsuana e Maláui também fazem parte dos destinos de exportação energética, com valores mais reduzidos.

O relatório mostra ainda um acesso desigual à eletricidade de rede nacional, com a região de Maputo a registar uma taxa de acesso de 91,7% e as restantes províncias a ficarem abaixo dos 67% – cabendo os piores registos à Zambézia (19%), Cabo Delgado (22%) e Tete (22,1%).

Várias zonas destas províncias recorrem a redes autónomas de produção de eletricidade.

O Fundo de Energia (Funae) moçambicano tem 76 sistemas fotovoltaicos em todo o país, beneficiando 580 escolas, 560 centros de saúde e 74 edifícios de postos administrativos, além de empreendimentos económicos.

O relatório estatístico publicado pelo INE permite ainda traçar o perfil de importação de combustíveis líquidos do país: o gasóleo domina o cabaz com cerca de 70%, seguindo-se a gasolina com 25%, sendo o restante ocupado pelo gás de cozinha e combustível para aviões (‘jet fuel’).

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