
Praia, 15 abr 2022 (Lusa) — Mais de 5.000 cabo-verdianos aprenderam mandarim e cultura chinesa em Cabo Verde nos últimos seis anos, desde a abertura do Instituto Confúcio, curso que os mais jovens encaram como uma oportunidade de futuro na China.
Luana Pires, 21 anos, natural da Praia, explicou à Lusa que desde criança que tinha o sonho de aprender várias lÃnguas e que através de uma amiga teve o contacto com o mandarim. Decidiu também aprender aquela lÃngua, no instituto que funciona na Universidade de Cabo Verde (UniCV).
“A cada dia tenho aprendido coisas novas e não penso em parar com as aulas pois isso irá fazer diferença no meu futuro”, afirmou Luana.
A estudante, que há dois anos frequentou um curso de espanhol, disse ter encontrado nas aulas de mandarim uma “ponte para o futuro”.
“Quem sabe eu vá viajar para a China. Problemas com a lÃngua não vou ter”, contou.
Inaugurado em dezembro de 2015, o Instituto Confúcio começou a lecionar cursos de lÃngua e cultura chinesa em janeiro de 2016 e segundo dados da instituição, possibilitou que “mais de 5.000 alunos começaram a estudar a lÃngua chinesa”. Agora funciona no novo campus da UniCV na Praia, precisamente financiado e construÃdo pela China, por 5.600 milhões de escudos (50,7 milhões de euros).
A lÃngua chinesa e respetiva cultura já entrou no currÃculo de vários jovens cabo-verdianos, sendo atualmente ministrada, também, num curso superior da UniCV e em 15 escolas secundárias das ilhas de Santiago e São Vicente, refere a mesma fonte do Instituto Confúcio.
Partilhando o sonho de viajar para a China, Janice Lopes, 20 anos, teve o seu contacto com a lÃngua chinesa em 2021, quando a UniCV abriu o seu curso superior e acabou por começar a frequentar as aulas naquele instituto.
“Penso em viajar para a China, conhecer as pessoas. Quem sabe morar por lá”, explicou a estudante, à conversa com a Lusa ao entrar para a formação no Instituto Confúcio.
A jovem, que ainda sonha em estudar medicina na China, confessou que além da oportunidade gostou do desafio da nova lÃngua, apesar das dificuldades iniciais: “Apanhei o gosto pelo mandarim e sou uma aluna aplicada”.
Além dos estudantes, o Instituto Confúcio refere que anualmente realiza “ações de formação” para professores voluntários de lÃngua chinesa e ações de formação em lÃngua portuguesa destinadas aos professores chineses a cumprir missão em Cabo Verde.
“Estas ações de formação têm como objetivo melhorar a capacidade linguÃstica dos professores, de modo a estimular uma melhor interação com os alunos cabo-verdianos. Têm, também, como objetivo o melhoramento contÃnuo das várias regras e regulamentos, para uma gestão mais eficiente”, referiu fonte da instituição.
Além destas formações, 15 alunos inscreveram-se em novembro passado na primeira licenciatura em LÃngua, Literatura e Cultura Chinesa em Cabo Verde, o mais recente curso da universidade pública, ministrado no novo campus da UniCV, com o apoio do Instituto Confúcio.
“É um grande dia para a nossa universidade. Conseguimos agora concretizar um sonho acalentado desde 2015”, explicou a então reitora da Uni-CV, Judite do Nascimento, garantindo que para este projeto foram igualmente capacitados quadros cabo-verdianos.
A Agência Reguladora do Ensino Superior (ARES) cabo-verdiano autorizou a Uni-CV, em 21 de outubro, a ministrar a primeira licenciatura em LÃngua, Literatura e Cultura Chinesa, a qual conta com quatro professores chineses de uma universidade de Cantão e o apoio de mais três voluntários.
PVJ // VM
Lusa/Fim



