
Praia, 21 set 2022 (Lusa) — O ministro da Agricultura e Ambiente cabo-verdiano, Gilberto Silva, disse hoje que a campanha agrÃcola deste ano “parece promissora” até ao momento, mas continua dependente da queda de mais chuvas nos próximos dias.
Em conferência de imprensa conjunta na cidade da Praia, para fazer o balanço da implementação das medidas de mitigação adotadas pelo Governo no setor agroalimentar, o ministro revelou que a situação do ano agrÃcola é “bastante diferenciada” entre os vários concelhos do paÃs e há uma equipa pluridisciplinar a fazer a avaliação.
Gilberto Silva indicou que tem chovido em todas as ilhas de Cabo Verde e que Santo Antão, Santiago e Fogo são as três ilhas com mais produção agrÃcola de sequeiro.
“O que nós esperamos é que ainda até o final deste mês de setembro e inÃcio de outubro venha a chover para que nós possamos ter uma situação ainda melhor do que aquilo que se desenha neste momento”, perspetivou o governante.
Quanto à produção de pasto, disse que há uma “muito boa” perspetiva, enquanto a situação de produção de grãos difere em vários concelhos do paÃs e há recarga dos lençóis freáticos em muitas ribeiras do paÃs.
Em 11 de julho, as autoridades cabo-verdianas previram uma campanha agrÃcola mais chuvosa este ano, e as previsões meteorológicas não descartavam a ocorrência de eventos extremos, como chuvas intensas, depressões tropicais, ventos fortes e agitação marÃtima.
Há praticamente quatro anos que Cabo Verde vivia as piores secas dos últimos 40 anos, o que vinha condicionando a atividade agrÃcola, com redução drástica da produção alimentar e rendimento das famÃlias rurais.
Desde março que o paÃs está a fazer face aos efeitos da guerra na Ucrânia e tomou várias medidas de mitigação no setor agroalimentar, como o aumento do stock de cereais a granel – milho — que passou de 14 mil toneladas para 31 mil toneladas, a bonificação em 30% sobre o preço da ração para monogástricos, a abertura de trabalho público, assistência alimentar à s famÃlias, estabilização da atividade pecuária.
A partir de março, o ministro disse que houve uma estabilização dos preços dos produtos de primeira necessidade, mas em agosto sofreram “aumentos expressivos”, sobretudo o óleo alimentar (84%), açúcar (41%) e farinha de trigo (28%).
Entre março e maio um total de 30.497 pessoas estavam em crise alimentar, que aumentou para 40.093 entre junho e agosto, numa situação que, segundo o ministro, está a melhorar com a produção depois da queda das chuvas.
Neste momento, avançou que há um “abastecimento estável” de produtos de primeira necessidade, sobretudo cereais, com prazo de cobertura média de três meses.
O paÃs vive ainda uma profunda crise económica, após uma recessão de quase 15% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, face à ausência de turismo provocada pela pandemia de covid-19, setor que garante 25% do PIB e do emprego.
O Governo cabo-verdiano admite que a economia possa ter crescido entre 6,5 e 7,5% em 2021, impulsionada pela retoma da procura turÃstica, e prevê 6% de crescimento em 2022, que foi revisto para 4%, devido à s consequências económicas da guerra na Ucrânia.
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